segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Castelo de Leeds / Leeds Castle


No sábado passado passamos um dia maravilhoso no Castelo de Leeds (Leeds Castle) que fica localizado no povoado de Leeds, em Kent, Inglaterra. Pegamos um trem pela manhã (10:18) e só voltamos para casa depois das 21:00. Estavámos em um grupo de sete pessoas: Shipra (indiana), Erlend (norueguês), Rafael (espanhol), Sofia (chilena), Niraj (inglês-indiano), Alexandre (francês-tunisiano) e eu, finalmente, Flávia (brasileira). Viajar de trem pela Inglaterra em grupo é uma boa maneira de economizar dinheiro: 4 pessoas pagam pelo preço de 2 e assim por diante. Da estação de trem Bearstead para o castelo, dividimos o taxi (3.45 GPB ida e volta/ pessoa), o que saiu mais barato que pegar o ônibus (5 GBP ida e volta/ pessoa).

Assim como quase todo mundo, levamos o nosso lanche e fizemos vários pequenos pequiniques durante o dia. Assim economiza-se na alimentação. O passeio pode até parecer caro. O preço do trem é 15.40 GPB partindo de London Bridge, o preço do ônibus 5 GPB e o preço para entrar no castelo e nos jardins é 15.00 GPB. Some alguma bebida quente ou fria, um sorvete ou um cerveja e vai mais 4.00 GPB. Vamos dizer uns 40 GBP sem contar o pequinique. Mas o ingresso do castelo e jardins pode ser reutilizado quantas vezes você quiser durante o prazo de um ano! E se você viajar em grupo, o bilhete de trem pode ser reduzido e, o optando pelo taxi, reduz-se o preço do transporte.

Fazia calor e sol, um dia tipicamente não-inglês e o resultado foi um nariz orgulhosamente vermelho ao chegar em casa. Quando faz sol em Londres as pessoas se sentem obrigadas a sair de casa e “mexer o seu traseiro gordo”, como diziam os saudosos Cacetas em outras épocas! Poucos têm coragem de ficar em casa em um dia de sol: nunca se sabe quando teremos outro!

O castelo, por dentro, é bonito, mas o que se vê, como turista, é como vive uma família de milionários. A visitação do castelo concentra-se nos cômodos onde viveram a família da Lady Baillie. Não deixa de ser interessante, mas não espere enveredar-se pelos caminhos incestuosos de Ana Bolena ou pelo gênio de Henrique VIII.

A visita vale mesmo pelos arredores do castelo. Tem caverna; labirinto; coleção de pássaros exóticos (como tucanos e araras!); cisnes e patos de toda qualidade de cor, jardins; lagos; riachos e riachinhos; horta; vinícula; falconaria; brinquedos de criança; e até um museu de coleira de cachorro (com exemplares do século XVII)! É diversão para a família toda!

O labirinto, por exemplo, eu recomendo para quem gosta de se perder. A experiência vale a pena se você não se sente a ponto de ter um ataque de nervos estando numa situação sem saída, como esta pobre infeliz que vos escreve... Eu quase tive um piti memorável (aliás, tive, mas prefiro não contar). De toda maneira, há um funcionário do castelo sentado (fazendo nada) no meio do labirinto. Eu não sabia deste detalhe. Se você entrar em pânico, sugiro que levante a mão e grite: “HELP”! Não grite, “socorro”, porque provavelmente ele não vai te entender e vai achar que você está se divertindo na companhia dos seus compatriotas. Caso contrário, provavelmente, você vai padecer perdido até que os corvos e os falcões da coleção do castelo te encontrem morto em alguns dias.

HISTÓRIA
A história mais remota do Leeds Castle tem início no ano de 857 com a construção de um solar Real chamado Esledes. Este foi pertença da Casa Real anglo-saxónica durante o reinado de Ethelbert de Wessex.


Construído em 1119 por Robert de Crevecoeur para substituir o anterior solar de Esledes, o castelo tornou-se num palácio Real para Eduardo I de Inglaterra e a sua rainha , Leonor de Castela, em 1278.


Em 1321, o Rei Eduardo II cercou o castelo depois de a sua esposa lhe ter impedido a entrada, tendo usado balistas para forçar os seus defensores a renderem-se. A primeira esposa do Rei Ricardo II, Ana da Boémia, passou o Inverno de 1381 no castelo durante a sua viagem para casar com o rei e, em 1395, o mesmo monarca recebeu ali o cronista francês Jean Froissart, tal como este descreve nas suas Crónicas.


Henrique VIII transformou o castelo para a sua primeira esposa, Catarina de Aragão.


O castelo escapou à destruição durante a Guerra Civil Inglesa porque os seus proprietários, a família Culpeper, estava do lado dos Parlamentaristas.


O último dono privado do castelo foi a Honorável Olive, Lady Baillie, uma filha de Almeric Paget, 1º Barão Queenborough e da sua primeira esposa, Pauline Payne Whitney, uma herdeira americana. Lady Baillie adquiriu o castelo em 1926, tendo redecorado o interior, inicialmente com a colaboração do arquitecto e designer francês Armand-Albert Rateau, o qual também supervisionou alterações exteriores, do mesmo modo que adicionou elementos interiores, tais como a escadaria ao estilo quinhentista em carvalho entalhado, e mais tarde com o decorador Stéphane Boudin, da Casa Jansen (Maison Jansen), uma firma de design de interiores de Paris que viria a ser responsável pelos chamados restauros Kennedy da Casa Branca. Baillie estabeleceu a Fundação do Leeds Castle, tendo o castelo sido aberto ao público em 1976.


Lady Baillie antes de morrer criou e doou o castelo e os jardins para a Fundação Leeds Castle (Leeds Castle Trust). Que mulher desapegada, pensaríam alguns! Que nada: tudo não passou de uma estratégia para não pagar imposto! Isto mesmo: o imposto de herança era de 80% do valor da propriedade. Assim, seria preciso vender o castelo para pagar o imposto. Por isso, a solução para manter, pelo menos, parte da propriedade, foi doar parte substancial para a Fundação, que haveria de cuidar de perpetuar a vida daquela família num castelo transformado em museu por todo o sempre. Boa jogada! Mas parece que o filho mais velho da família não ficou satisfeito com a decisão da mãe. As filhas, coitadas, já não tinha direito a nenhuma parte da fortuna, já que o direito aristocrático concede a herança ao filho varão apenas. (Não posso garantir a veracidade destas informações, já que foram obtidas através de conversas informais com os funcionários do castelo.)

Sobre o Rei Henrique VIII
Um filme chamado The Other Boleyn Girl ("A Outra Bolena") foi lançado no Brasil em 2008. Natalie Portman e Scarlett Johansson interpretarão Ana e Maria Bolena, respectivamente, e Eric Bana interpreta rei Henrique VIII. O filme foi dirigido por Justin Chadwick e o roteiro é de Peter Morgan. Vi o filme em Recife com a minha prima Sara e gostamos muito. É um daqueles filmes que realmente transportam o expectador para outra época histórica, com o auxílio de uma boa dose de traição, sensualidade, poder e muito investimento em figurino e locações.

4 comentários:

martha pires disse...

parabens pela matéria sobre o castelo. Que bom que tem pessoas que gosta de transmitir conhecimentos aos outros. Obrigado

Anônimo disse...

É, até parece que você é historiadora... tantos os detalhes repassados sobre a história do castelo e seus ilustres moradores e proprietarios.

João Bosco.

maria conceição disse...

aiaiai como eu queria ta ali naquela graminha... a história depois... com certeza eu iria procurar saber de tudo... porém o cenário é DEZ!
Adorei o post.
A tia

Anônimo disse...

Flávia,
Estou lendo um livro que cita este Castelo na Inglaterra, por isso procurei no GOOGLE algo sobre o mesmo. Adorei sua descriçào.
Obrigada!