sexta-feira, 27 de março de 2009

A poesia que não nos deixa morrer





Foto de Fernanda Freire
Para ver mais: http://www.flickr.com/photos/fefreire


Venho escrevendo alguns poeminhas, diálogos da alma, conversas comigo mesma.
Arrumando o armário, tirando os guardados, encontrei este aqui, de agosto de 2005.

Sertaneja

Logo o tempo passa ligeiro
Apruma as folhas do pé de pau

Comer doce para tomar água
bem muita farinha de mandioca
cuzcuz com leite de gado

Nunca confiei em noite sem lua
Meus beijos secos de boca salgada

"Eita, que a tapioca hoje tá salgada"

Me dá da doce
Adocica minha consciência
minha vergonha despida
meu medo de ser mulher

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ressaca de Carnaval!


... Ou, mais polidamente, reflexões pós-Carnaval

Ao telefone com uma amiga de longe, vou narrando o Carnaval, as crônicas de uma figura já cansada das firulas carnavalescas.
Vou sendo tão tragicômica na narração que a amiga aos risos (de algo que nem eu sei se achava mais uma comédia) me aconselhava a escrever. “Você tem que escrever isto!" kkkk
Acho que ela estava rindo era de mim mesmo, do meu tom de voz, meio desconsolado; já meio desapegado, analítico e tragicômico, sobretudo.
Bem, passamos ao cumprimento do trato feito (com ela.)
Dizia à ela que o Carnaval é mesmo o arquétipo perfeito da imagem do pierrô. Metade alegre, felizinho da vida; metade triste, morococho.
Que todo mundo se apronta e se diverte à sua maneira, mas não damos conta sempre de compartilhar as mesmas expectativas carnavalescas (ou as nossas neuroses, sendo mais direta)
Eu mesma... gosto muito de falar coisas que nunca falaria, se não estivesse fantasiada; de conversar com pessoas completamente desconhecidas no meio do caminho, ou dentro do bloco. O que seria mais divertido do que pular Carnaval com desconhecidos irmanados na fantasia de se despir da nossa “velha” persona de todo dia? Acabo com quase toda a vergonha, aproveitando-me da situação que a minha nova personagem criou. Rs
Esse é o meu barato! Minha válvula de escape tupiniquim. É algo completamente lúdico (tentando falar bonito outra vez).
O carnaval é muito importante. Importantíssimo! Só não consigo levar muito à sério. Não consigo me estressar com compromissos de Carnaval, mas me impaciento com quem se estressa e não gosta do sabor do improviso. (Esse é justamente o meu outro lado do pierrô : ( )

Carnaval é o momento de uma certa ausência de lei; onde é permitido não funcionar tão bem, ou pelo menos, não levar os erros banais à sério. É o momento da inversão saudável de valores. A festa onde o pobre pode virar rei e rainha; o machão uma mulher assanhada; a santinha, uma prostituta, etc. (Posso até citar fontes antropológicas, para os que necessitam delas... Roberto Da Matta, como alguns de nós sabem, trata disso num livro clássico da Antropologia brasileira, “Carnavais, Malandros e Heróis”; que eu mesma tive que fichar.)
Mas, voltando mesmo às vacas frias, com o meu próprio “sentido sem direção” sobre o Carnaval... (citação inspirada numa pichação de rua, numa encruzilhada, em Santa Teresa).
Simplesmente acho que não há como prever muitas coisas durante o Carnaval.
O bloco vai sair mais cedo ou vai atrasar... Vai marcar de manhã e sair à tarde, ou vice-versa - como aconteceu com um dos meus preferidos este ano.
Você marcou de encontrar os amigos do outro lado da cidade... e tem um bloco no meio do caminho da vã que você já arriscou pegar porque é Carnaval e os ônibus vão demorar. Só que o motorista da vã faz o caminho que quer e, às vezes, isto dá zebra. (Isto aconteceu comigo também, acreditem).
É melhor, então, sintonizar outra estação e colecionar pérolas que ouve no meio do engarrafamento. Um carinha insistindo sorridentemente, na proposta indecorosa de te beijar pela janela da vã.
“Vou beijar-te agora, não me leve à mal, hoje é Carnaval!”
A senhora meio tonta fazendo convites libidinosos e engraçados aos mocinhos que entravam no veículo.
Bem, e é assim mesmo que pode surgir um novo bloco: “Tô no bloco da vã apertada e presa no engarrafamento!”, como dizia um rapaz ao celular para algum folião que o esperava pela cidade à fora.
E o Carnaval mesmo - e o melhor do Carnaval - se faz deste improviso, na minha modesta opinião. rs
Do atraso... quando meus amigos não puderam me esperar tomar café, é que pude conhecer uma foliã engraçadíssima, a Leila, super paramentada, e com certeza (àquela hora da manhã) indo para o mesmo bloco que eu. Isto foi o suficiente para racharmos um táxi para o mesmo destino e no caminho, ela me dar altas dicas de blocos e fantasias interessantes que ela já improvisou. Isto sim é que é foliã de verdade!
Agora, coisa mais importante ainda é refletir sobre os sapos e príncipes encantados carnavalescos...
É que eles aparecem de maneiras bem diferentes do que em quase todos os outros contos de fada! Rsrsrsrs
Talvez, você o encontre voltando pra casa, depois de tomar um banho de mangueira no bloco e de desmanchar toda a sua carregada maquiagem.
Ele, vindo em direção oposta a sua, meio destrambelhado e descabelado - vestido de palhaço, claro - e sem remediar, meio tonto; pisa, então, no seu pé e o acerta em cheio.
Sendo um cara lá no fundo bacana e já tendo brincado com todas as garotas que encontrou pela frente; vai poder fazer juras de amor ao seus pés. Se bobear, vai beijar o seu pé (sujo) e declamar que nunca viu uma "chapeuzinho vermelho" tão bonitinha. (E você jurando que fez todo esforço do mundo para se fantasiar de cigana.) Hehehe
Isto não é ultrarromântico?!
(Olha o que a reforma ortográfica fez com esta palavra! Não, não fui eu, sozinha.)
Então, o Carnaval é propedêutico: ensina a gente a relativizar! (Aula de Antropologia para foliões iniciantes.)
Você pode sair muito bem acompanhada(o) para um bloco, com os seus melhores amigos foliões e, de repente, dar-se conta de que pulou o bloco inteiro sozinha (sem eles) e se divertiu muito.
Se perder, no Carnaval, é se encontrar!
No mais... as marchinhas vão começando a diminuir o ritmo e ajudando a gente a engatar a primeira para o ano de trabalho e desafios a que nos propomos.
Final da apuração...
Óculos de sol perdido
Uma febre terçã
Dores no corpo
Rosto quase descascando
E o ganho de uma ressaca que deve ser eliminada da cabeça por uma amnésia quase que desconhecida...
Porque ano que vem tem mais!
E faço minhas as palavras que Chico Buarque lindamente compôs: “ tô me guardando pra quando o Carnaval chegar” .

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"Rainha do mar, do mar azul... Eu vou pro mar..."



“Não há mal que o mar não possa curar,
não há pedido que Iemanjá não possa atender.”

"Dia 2 de fevereiro... "
Fiquei com vontade de contar uma história, dessas que contam sobre as bonitas sincronias da vida.
Quem nunca teve uma para contar?
No dia 2 de fevereiro, eu me vi, de repente, em uma casa, bem perto do mar... acertando minha vida para ir morar por lá.
Saí de lá, de biquini por baixo, direto para um mergulho nele. Como evitar dar um mergulho, depois de um bom tempo de resguardo dele? E, ainda por cima, dando-se conta que aquele era o dia consagrado a Iemanjá, sua rainha?!
Fui lá me oferecer, oferecer minha moradia, agradecer àquela imensa imensidão do mar.
Nos meus últimos encontros especiais com o mar... um encontro de conversas, segredos, pedidos e agradecimentos... eu me via cantando aquela música, que eu conheci na voz da Marisa Monte.
"Mar, misterioso mar, oh... Que vem do horizonte... "
"Ela mora no mar, ela brinca na areia... No balanço das ondas, a paz ela semeia."
E das últimas vezes foi assim... era colocar o pé na água e vinha vindo aquele som, do inconsciente.
Uma espécie de agrado, "uma oferenda", à Iemanjá.

Eis que ontem, quando cheguei lá, quase noite, para tomar meu banho de mar lunar. Nada tocou dentro de mim.
Quando fui adentrando àquela água já escura pela falta da luz solar, eis que a cantora lá do bloco, do seu trio elétrico, inciou a canção...
"Ela mora no mar... ela brinca na areia... no balanço das ondas, a paz ela semeia..."
Mar, misterioso mar... oh...
E, enquanto estou escrevendo aqui, um CD toca. Um CD com músicas variadas que ganhei e ainda não pude ouvir.
Enquanto escrevo, começa a tocar "Arrastão", na voz da Elis Regina.
(Sem comentários rs)
"Ei meu irmão, me tráz Iemanjá pra mim!"
Sincronias...
Quem já não teve as suas???
Menina MA

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Caderninho vermelho

Ontem, à noite, ganhei de presente um caderninho pintado de guache vermelho na capa. Todo confeccionado por duas mãozinhas pequenas, de uma menina risonha e sapeca que já mora no meu coração, a Maria, minha xará.
Ela mesma fez este caderninho tão bonitinho e tão bem feitinho (sinto que muitos podem se incomodar com os meu diminutivos, mas é algo fora ao meu controle).
O fato é que Maria Clara acertou em cheio no presente sem aniversário ou motivação maior, mas na data certa. E ela nem sabia como gosto de cadernos pequeninos, com capas bonitas, para anotações pequenas, àquelas do coração. Tenho sempre um na bolsa, para momentos furtivos, como esse, quando bate a inspiração. Sim, como já disse aqui, temos que saber respirar... E sem se inspirar... Como fazer? rs
Então, ganhei esse caderno ontem, que me foi tomado das mãos algumas vezes, para alguns retoques de perfeição. Ela trouxe régua e lápis e traçou linhas nas folhas brancas, todas. E me disse que a tinta era fresca e que precisava de um tempo ainda para secar. Respeitei todas as recomendações.
Sabe o que me deu vontade de fazer com ele quando o vi aqui em casa na manhã deste domingo fresquinho? Escrever sobre esta garotinha.
E começou a sair letras bem assim, sobre as folhinhas do caderno...

"Este caderninho especial foi a Maria Clara que me deu. Ela o fez com o maior carinho. Pintou ele de vermelho na capa e traçou linhas muito fortes para que eu desenhasse palavras nele.
Maria Clara é uma menina linda, doce. Morena jambo igual a mim. Ela é carinhosa e gosta de sorrir.
Ela gosta de fazer bijouterias para as pessoas de quem ela gosta. Ela também faz cartinhas recheadas com flor dentro do envelope.
A Maria gosta de vestir roupas nas bonecas dela; dar mamadeira, trocar fraldinha e colocar os bebezinhos para dormir.
Gosta, também, esta menina sapeca, de fazer cosquinhas e de rir sem parar, às gargalhadas, como uma bruxinha com poderes mágicos no riso. ( He, he, he... Hi, hi, hi..) Parece até que ela consegue transformar tudo a sua volta quando dá sua risada... " E é assim que foi saindo esta histórinha que ainda não teve fim.
Que volta à infância a Maria nos tráz de presente! Será que existiria algo mais bacana com o que se presentear?!
: ) : ) : o : o : ( : / rsrsrsrs hehehe kkkkk
Menina MA
(Perdendo o medo do ridículo)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Um Valentine para o dia do Amor


Dia do amor... Dia de São Valentim: 14 de fevereiro.
Dizem que é comum a quem comemora esta data, fazer um ou mais valentines (cartões) para presentear namorados, amigos e pessoas da família.
Como adoro cartas, cartões e afins...
Este dia não fazia parte do meu calendário, até porque, como todos nós sabemos, o famoso dia de comemoração do amor, aqui no Brasil, é o dia 12 de junho, "Dia dos namorados", véspera do dia de Santo Antônio.
Confesso que sempre achei esse dia egoísta, de um certo mau gosto com as pessoas excluídas do amor de eros na tal data. Desde o raiar do sol até o anoitecer ou, principalmente ao anoitecer, os solteiros e azarados com eros nao tinham muita paz.

Foi num certo dia 14 de fevereiro, há exatamente 7 anos atrás, porém... que, colocando as malas no carro de uma amiga, de mudança para a cidade maravilhosa, descobri esta data no calendário de minha agenda.
Sentindo-me um tanto sozinha, numa casa, num bairro e numa cidade em que mal conhecia ninguém... fui escrever algo na agenda, quando pude me dar o prazer da minha importante companhia. E eis que estava lá escrito, neste mesmo dia... Dia do Amor. (O que me trouxe bons presságios e boas energias.)
A partir daí, fui me informar melhor e, assim como o dia de ação de Graças americano, achei de bem, incluí-lo na lembrança de datas à comemorar.
Até porque tinha mesmo o que comemorar junto com esta data.
Fui saber também que o dia dedicado ao Amor, ou o famoso "Valentines'day", era uma data mais aberta à comemoração dos vários tipos de amor; não só os venusianos, mas também os mais uranianos ou aquarianos - universais e solidários, para os mais entendidos em astrologia. rs
Aqui estou eu, sete anos depois... um tanto diferente do Brad Pitt. Sete anos no Rio ou sete aos no Tibet, não daria para traçar tantas comparações - apesar de ter recém descoberto o meu ashram por aqui. rs
E colho os amores que a vida nesta cidade me proporcionou. Alguns de eros, outros de irmandade mesmo. Acabo sendo mais uma devota, portanto, deste santo rebelde, subversivo e apaixonado.
Viva São Valentim! Santo que foi decaptado neste dia, porque sendo padre, negou-se a obeceder a ordem do imperador de Roma, de não realizar mais casamentos dos seus soldados... neste dia que foi dedicado à sua vida e dedicado ao amor (e ao comércio! Mas, não vou tocar neste assunto para não diminuir o romantismo da data).
Histórias de santos são realmente interessantes, acreditando ou não nos sobrehumanos poderes destas fuguras, quase sempre tão humanas.)
No mais, mais amor... Muito amor!
Menina MA
Para saber mais sobre a história de São Valentim http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Valentim

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Indicamos: Blog

Uma dica para quem quiser conferir um blog recheado poesia, astrologia e amor...

ASTROLOGIA VIVA -
O blog do VIVASTRO

http://vivastro.blogspot.com/

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Cabo Branco Unido pela Lixeira

João Pessoa é uma cidade linda.
Pela manhã, fecham a Avenida Cabo Branco – a beira mar – do bairro que tem metro quadrado mais caro da cidade. Na avenida, o pessoal anda, corre, pedala. Pois, sim.
E não é que uma barraca de praia, muito solicitamente, colocou uma mesa na avenida com um garrafão de água mineral, copos de plástico e vejam: um baldinho de gelo (!) - para refrescar o calor, que ás 7 horas da manhã já está forte.
Reparem que o pessoal da barraca não colocou nenhuma lixeira para depositar os copos usados. O cidadão bem observador poderia me lembrar que há lixeiras a cada poste no calçadão, assim, mais ou menos, a cada de 10 metros há uma lixeira de cor vermelha (bem visível).
Mas, o leitor vai se espantar quando eu disser o que vejo pela manhã quando saio a caminhar pela bela orla de João Pessoa. Pessoas de bem, mulheres da sociedade, colunáveis; homens bem sucedidos, de negócio lucrativo, param rapidamente para pegar um copo de água, levam o copo na mão e fazem o que? Se deliciam com a água benta (claro) e jogam o copo na rua! Alguns disfarçam: colocam no capô de algum carro parado, gentilmente depositam no meio-fio, ou (acreditem, eu vi!) tentam enfiar o danado no motor de bugues estacionados. E há os que nem disfarçam...
Ah, como eu queria que este pessoal do bem lesse este depoimento e passasse a zelar pela beleza da cidade onde moram.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Austrália - o filme


Austrália

Good good. O filme é bom, sobretudo por que faz refletir. Impossível não comparar o Brasil e a Austrália, duas colonizações, duas ideologias.

O pequeno “creamy”, traduzido como “café-com-leite”, na versão legendada no Brasil, nem de longe de depara com os dilemas dos mulatinhos brasileiros, filhos de nativas negras com homens brancos ingleses. Ele é só, nem é negro, nem é branco. Por isso, não tem povo, vive entre dois mundos, sem pertencer a nenhum deles. Quer um exemplo: no cinema local, só entra branco, preto e oriental – os filhos mestiços da colonização não podem entrar. No Brasil, diferentemente, o negro é que era colocado de lado, o mulato sempre foi nossa maior riqueza. Afinal, o mulato já representava meio caminho na direção do ideal do branqueamento.

No filme, o homem é homem mesmo. A mulher é mulher mesmo. Nada de troca de papéis ou posições sociais. O homem é valente, corajoso, forte, mas um covarde emocial, tem medo de compromisso, foge deliberadamente da mulher e do filho. A mulher, mesmo infértil, é antes de tudo mãe. Mãe de filhos que não gerou, mãe de uma terra que não é sua. A maternidade abranca tudo ao seu lado e vai transformando campos áridos em paisagens férteis, como a chuva.

Ah, a chuva! A primeira chuva da estação, o ciclo da natureza na mudança radical da paisagem, me faz pensar no sertão paraibano. É como aqui: nas primeiras chuvas, o povo se põe a cantar e dançar deixando-se molhar pela chuva sagrada; a paisagem cinza toma cor e os mais diversos tons de verde aparecem para celebrar a alegria da estação chuvosa. É flor, é pássaro, é, sem dúvida, tempo de acasalamento.

Bem, para aqueles que não conseguem passar sem crítica aí vai: a luz do filme é um tanto irreal, deve ter sido o objetivo do diretor, mas é estranho, nítido demais, os tons do entardecer são bonitos demais. Claro que tem cliclês, filme deste porte e que concorre ao Oscar tem que ter. É longo e cansa, principalmente, os homens homens, como o Vaqueiro bonitão (Hugh Jackman).

Elenco: Nicole Kidman, Hugh Jackman, David Wenham, Bryan Brown, Jack Thompson, e o garoto aborígene Brandon Walters, de 12 anos.

Direção: Baz Luhrmann


sábado, 31 de janeiro de 2009

Bicicleta para Todos



Vejam no Blog do Jamildo: Lula vai lançar o "Programa Bicicleta para Todos"

http://jc.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2009/01/30/lula_vai_lancar_programa_bicicleta_para_todos_40237.php

Grande idéia, desde que venha associada com a construção e manutenção de ciclovias nas zonas urbanas.

Sozinha
















Preciso de gente. Estou sozinha levando a minha vida. Mas eu mesma assim escolhi. Queria ser independente. Correr meus riscos, desfrutar da graça de ter conseguido por mim mesma. Mas, ás vezes, o meu desejo é o mais infantil de todos. Deitar-me encolhidinha e pedir que uma mão poderosa me carregue e faça por mim o que tem que ser feito. Eu queria “alguém que me salvasse” – disse uma vez a uma tia muito sábia. Ela me disse que esta pessoa existia, que estava muito perto de mim, que era eu mesma. Daí, ao mesmo tempo em que entendi a solidão de ser gente, entendi também que para isso não há remédio. Não posso me abandonar, ninguém vai me segurar, carregar no colo, pegar a minha mão para atravessar a rua. Ou eu mesma arranjo o meu almoço ou não como. É assim. Não posso esperar que alguém vá tomar as decisões por mim. Esta pessoa não existe. Mas tem gente, e eu bem conheço, que passa a vida nas costas de outros. Ah que inveja. Quisera eu que alguém procurasse a minha moradia, resolvesse o pepino com a telefônica, levasse a impressora para consertar. Essas tantas pequenas coisas chatas que o cotidiano nos demanda. Ir ao mecânico, pagar propina na Manzuá, tratar com o síndico. Acho que me tornei mulher sem deixar de ser criança. Será isso uma característica comum ás mulheres: ficar a espera de um príncipe encantado, perfeito e majestoso? Aquele com o qual a vida passa macia, sem estresse e principalmente, sem as contas no fim do mês. Aquele sem o qual a vida é esse vale de lágrimas, lutas inglórias, chegadas sem sabor de vitória.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Saudades de algum lugar...


Barra de São Miguel

Maceió

Fazenda do Gunga

Carro Quebrado



Rio São Francisco

"... o Rio São Francisco vai bater no meio do mar..." ( Riacho do navio -Luíz Gozaga)


Alagoas com Sergipe

Nor
des
te

Bra
sil





Neste início de ano senti uma saudade imensa de um lugar que a rotina quase que me fez esquecer que fui.
Os ciclos, porém, nos trazem as lembranças de volta, tal como as ondas revolvem e devolvem o que um dia foi para o mar.

Senti uma saudade imensa de lugares que entraram na minha vida no início do ano passado... e, como se fizessem aniversário agora, voltaram em minha lembrança, um ano depois. Fui passar alguns dias com a família pelo litoral de Alagoas, no ano passado.

Foram visitas à lugares bonitos. Um mar generoso e manso. Água gostosa; coco barato. Uma cor de água que não dava vontade de parar de olhar. Um litoral desenhado por Deus ou outra criatura muito artística e de bom gosto.
Um deles, mais especial, acredito que tocou no âmago da alma de todos nós e tenho certeza de que foi um dos encontros com a natureza mais bonitos que já tive e vou ter (posso prever); a foz do rio São Francisco, que divide Alagoas e Sergipe.
O encontro de um rio com um mar... numa paisagem intocada e bela. Um momento de tanto respeito e harmonia que pudemos vivenciar; de um silêncio profundo e reverenciado pela alma.

Outras belezas...

Amei tudo e mais um pouco.
A praia e as falésias de Carro Quebrado, no litoral norte.
O balneário simpático e aconchegante da Barra de São Miguel.
A comida também simpática e farta do café das Irmãs Rocha ( e o visual lindo que tinha a casa de fazenda deste restaurante) e o da divertida Budega do Sertão, com suas atendentes vestidas à caráter, entretidas em suas fantasias; eram quase atrizes as meninas.
Uma experiência cultural, afetiva e gastronômica. Tudo muito delicioso!

Do outro lado... Em meio à miséria do trabalho árduo nos canaviais, que víamos pela estrada do litoral sul... e as casinhas de palafitas das "favelas" paupérrimas dos excluídos de Maceió e do interior das Alagoas, as rendas... As rendeiras trabalhando, tecendo a "beleza", das portas de suas casas.
(Lembra-me agora o lindo livro de Marina Colasanti, "A moça tecelã"; a moça que tecia seus sonhos, sua vida... e podia desalinhavar, desmanchar, e tercer tudo de novo).
Esse lugar tinha esta magia também, este potencial.
"Ole mulher rendeira... ole mulher renda. Tu me ensinas fazer renda..."
Deus, tu me explicas este Brasil?!
Menina MA

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Tempo, tempo, mano, velho... falta um tanto ainda eu sei pra você correr macio"


Sei que escrever um blog não é copiar e salvar. Acho que ando copiando para salvá-lo... do perigo de inanição. rs

Na verdade, inspirações vem e vão. Mas há épocas silenciosas. O silêncio poda palavras, versos, temas e inspirações. O silêncio acaba, por vezes, falando mais alto...
Mesmo quando ele fala mais alto algumas músicas e poesias continuam tocando ao fundo.
Esta que hoje ouvi é muito gostosa de cantar e fácil demais de se afeiçoar.
Ela canta o dilema do tempo que está em todo mundo, em toda parte e vai se arrastando com a gente, por toda vida.

Sobre O Tempo
Pato Fu
Tempo, tempo mano velho,
falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Tempo, tempo mano velho,
falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio
Como zune um novo sedã
Tempo, tempo, tempo mano velho
Tempo, tempo, tempo mano velho
Vai, vai, vai, vai, vai, vai

Tempo amigo
seja legal
Conto contigo
pela madrugada
Só me derrube no final.

Se quiserem ver o clipe do grupo mineiro, Pato Fu, no You Tube é só clicar em http://www.youtube.com/watch?v=OhfSkSda5TI

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

"Biológicas, exatas e desumanas" por Rosana Hermann

Em tempos em que preciso de um mergulho em leituras e outras escritas mais obrigatórias (e nem por isto desprazerozas) recebi este texto e achei interessante para colocar no blog.
Não conhecia esta jornalista, mas fiz uma pesquisa na net para me situar sobre suas coordenadas geográficas e achei interessante este desabafo dela.
Menina MA

BIOLÓGICAS, EXATAS E DESUMANAS
Rosana Hermann
Não terei tempo de procurar na rede o nome do culpado pela divisão das disciplinas de educação em três vertentes, mas de alguma forma o conhecimento formal ficou dividido em ciências biológicas, ciências exatas e ciências humanas. Acho lindo que tudo seja tratado de forma cientifica e organizada, mas temo que esta tripartição não tenha sido um bom negócio, especialmente hoje, vendo que duas pernas se desenvolveram e uma ficou atrofiada. O homem passeia em Marte com seu robô e envia imagens ao vivo, com exatidão tecnológicas surpreendente. Aqui na Terra, clonam-se seres vivos e as esperanças de cura se renovam com o desenvolvimento de pesquisas com células-tronco. O tripé do conhecimento desenvolveu pernas longas e bem torneadas para as exatas e biológicas. Infelizmente, com o crescimento das outras duas, a terceira perninha, as ciências humanas, que incluem coisas como a filosofia e a ética, ficou ali, atrofiada e penduradinha como um bilauzinho no inverno polar. E isso, tem tudo a ver com a crise humana do mundo atual.
Estamos todos mais grotescos, mais rudes, mais estúpidos. Somos bem informados, mas nos tornamos ignorantes. Temos automóveis com GPS, mas dirigimos como trogloditas neuróticos. Viajamos pelo mundo inteiro, mas temos preguiça de procurar o baldinho de lixo para jogar o papelzinho da bala. A falta de finesse é geral. Isso tudo, se não for coisa do demo, se não for a prova definitiva de que o projeto 'ser humano' não deu certo, só pode ser atribuído à falta de atenção que demos às ciências humanas, justamente aquelas mais sutis, que não dependem de equações, que não se baseiam nas medições matemáticas e não podem ser testadas em laboratório.
O vórtice vicioso que nos suga ralo abaixo passa por todas as estatísticas de descaso com as disciplinas que podem desenvolver o refinamento das pessoas. Não existem empregos para filósofos, sociólogos, pedagogos, historiadores, cientistas sociais. E, por não ter mercado, os estudantes não optam por estas matérias na hora de fazer o vestibular. Como a procura é pouca, há poucos cursos e etc. e tal.
O que fazer? Bem, esta é uma resposta para as ciências humanas também. Quem tiver sobrevivido na área terá que formular as soluções para esta crise de humanidade que vivemos hoje. Não sei onde o flower power murchou, onde o amor livre foi preso ou como a vida em fazendas cooperativas se transformou nesse mar de prédios de escritórios neuróticos baseados na competição. Só sei que temos que voltar até a bifurcação onde tomamos a trilha errada. Nesta trilha, ansiedade e depressão nos matam, o estresse e a má alimentação engordam, a ira destrói toda nossa capacidade de sentir e amar.
Eu, lentamente, comecei a voltar. E adoraria contar com todas as pessoas de bem, os irmãos de fé, os companheiros de jornada, os camaradas de ideologia, os humanos de coração, para um grande encontro de volta naquele velho ponto da bifurcação. Onde um dia, alguém colocou uma flor no cano de uma carabina.Humanos, uni-vos.
Rosana Hermann

Glossário
Vórtice (ou vórtex) é um escoamento giratório onde as linhas de corrente apresentam um padrão circular ou espiral. São movimentos espirais ao redor de um centro de rotação.
Ele surge devido a diferença de pressão de duas regiões vizinhas. Quando isso ocorre o fluido tende a equilibrar o sistema e flui para esta região mudando, eventualmente, a direção original do escoamento e, com isso, gera vorticidade.
Exemplo: efeito do movimento de uma colher para misturar o açúcar.

Flower Power (Força das Flores) foi um slogan usado pelos hippies dos anos 60 até o começo dos anos 70 como um símbolo da ideologia da não-violência e de repúdio à Guerra do Vietnã.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O sorriso de Doralice*



Sei que não é muito legal plagiar ou traçar paralelos sem uma base comum, mas há momentos que isto nos transpassa .
Eu, que não gosto mais muito, de expor a intimidade e pessoalidade da minha vida particular a não ser no jogo da expressão, venho doar neste momento uma coisa íntima e bela. Uma obra de arte que me desculpem os apreciadores de Da Vinci, ultrapassa a beleza do sorriso pintado no seu quadro mais famoso- considerado a obra de arte mais valiosa do mundo, segundo li agora à pouco na internet.
Mas esta pintura não teria poderes suficientes para causar o que um sorriso como este – que se repete a cada manhã, ao acordar - pode nos oferecer. : )
Um sorriso oposto à tímida expressão da Mona Lisa.

*Esse é o codinome da sobrinha da Menina MA

"Saúde"


Queria ter deixado uma música da Rita Lee e do Roberto de Carvalho de mensagem de Ano Novo, mas acabei deixando... pra lá.

E de lá ela voltou aqui e agora, de novo, para eu ter que dedilhá-la novamente.

O nome dela é ...

"Saúde"
Me cansei de lero-lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima
Nesse chove-não-molha
Eu sei que agora
Eu vou é cuidar mais de mim!
Como vai, tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz!"
Fonte: Uma página bacana com tudo da Cantora e seu maridão. Dicografia, músicas, vídeos, fotos. Vale à pena olhar. http://www.ritalee.com.br

Sumiço das letras... Férias das palavras... Inspirações


Sumiço das letras... férias das palavras... Espero ter um (re)encontro com as inspirações.
As inspirações... Elas que são tão necessárias... em tempos onde a gente não respira mais direito, como diz a professora de Yoga.
Acho que por isso, voltei a praticar Yoga. Inspirar e Expirar é fundamental!
Minha “madre superiora” pediu para que eu não tirasse férias nas férias... nesse tempo absurdamente ocioso chamado de férias. (Porque será?).Acho que é porque ela me ama muito. Ela quer muito o meu bem... e quer que eu faça os meus votos para o noviciado tão rápido quanto possível... Nas palavras dela “no início do semestre” (coisa que ninguém merece fazer tão cedo).
Acho que ela diz isto para me assustar um pouco. Eu pareço (devo parecer) um tanto quanto sonsa, lerda, devagar... Ah, e isto eu sou mesmo. Uma apaixonada pela lentidão. Não sei se por causa de uma rebeldia nata ou simplesmente pelo ato prepotente ou arrogante de querer dar o tempo do meu compasso. No final das contas quem dança sou eu... em qualquer dos sentidos que esta palavra possa vir a soar.
Mas chega a ser engraçado e triste esse descompasso do mundo... entre pessoas que deveriam tentar marcar um compasso juntas, para terem "a honra de uma dança" (como se dizia antigamente). Não. Cada uma canta uma canção diferente e não quer nem pensar em ouvir a que toca do outro lado. Ao contrário, isto é um motivo para aumentar o som e cantarolar mais alto – sem que corram os sérios riscos de se depararem com outras melodias.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Uma nova coleção...


Comecei, quase que sem perceber, a colecionar também "jogo americano" de alguns restaurantes e lanchonetes. Não precisam ficar preocupados com o fato porque não virei, de repente, uma assaltante especializada em estabelecimentos alimentícios. O que levo para casa são apenas aqueles papéis descartáveis que ficam debaixo dos pratos e copos.

Alguns desses estabelecimentos fazem disto algo instrutivo ou decorativo, artístico mesmo. Comecei com algumas fotos do Rio Antigo, do Mofo (um bar do Flamengo, no Rio); depois achei engraçadinho e interessante um outro com desenhos e informações nutricionais sobre frutas de uma pequena rede de lanchonetes... e achei necessário ter comigo. A última nova aquisição, meio engraçada, (embora, eu tenha ficado um pouco sem graça, com a publicização de tamanho interesse por um pedaço de papel destinado a ir para o lixo, após cumprir sua difícil missão de não deixar sujarem as mesas dos tais estabelecimentos) foi uma poesia de um projeto apoiado pela cafeteria onde eu desfrutava de um bom momento de compensação da semana. (E que compensação! O Caco Ciocler bem à minha frente, tomando também um cafezinho compensatório. Desculpem a tietagem, mas sou fã dele. E como poderia deixar de contar isto para vocês...)

Enfim, não resisti e trouxe para casa a belezura também (o papel - não o Caco Ciocler!), com a desculpa (para mim mesma) de que gostaria de colocá-la no blog.

Então, está posto.

Espero que apreciem esta cativante poesia da Camila. Não sei se seria falta de modéstia da minha parte, mas senti que ela poderia estar dedicando-a à mim também. Tentem só imaginar o porquê. rs Outros (as) tantos(as) também se identificarão, com certeza.


A amiga

Conheci uma menina
Que adora comer
Ela come doces e salgados
Frango assado com purê


Ela come, mas não é gorda
Também não é magra
Não entendo por que ela come
E depois fica sem graça.


Mas, enfim, ela é amiga
Amiga de se confiar.
Se você contar um segredo,
Pode ter certeza que ela não vai contar"

Camila Marinho - 12 anos


(Poesia finalista do V Festival Carioca de Poesias de 2004 - Poesia em Festa. Obras de crianças e jovens que participam de um projeto que visa "despertar e desenvolver talentos")

Maiores informações: http://www.irs.org.br/

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Seu Zé ganhou na loteria


Seu Zé, que vendia picolé, nascido na fazenda onde seus pais, negros escravos, trabalhavam, acaba de ganhar na loteria. Ganhou, mas não vai levar. Seu Zé é um zé ninguém. Mora no asilo. Seus familiares assinaram um termo de concessão de tutela para a instituição que vem cuidado do idoso há 5 anos. Seu Zé tem mais de 90 anos, mas anda, gosta de jogar dominó e da canja de galinha que nas terças-feiras é servida no asilo. Tem 5 filhos e 12 netos. Não cabia na casa de ninguém. Uma nora não gosta dele. Um genro está desempregado. Três crianças pequenas é trabalho demais para uma filha. Filho homem não cuida de pai idoso e assim por diante. Hoje, neste país, todo idoso pobre tem direito a uma aposentadoria, seja como trabalhador, rural ou não, seja através do repasse do Benefício de Prestação Continuada. O asilo onde Seu Zé mora fica com 70% do seu benefício, com os quais compra remédios, paga os funcionários, a luz, água, comida e até umas festinhas de vez em quando. Os 30% restantes, Seu Zé emprega neste pequeno luxo da vida: a jogatina. Aposta em tudo: bicho, loteria, mega-sena, até rifa e bolão. Ele está em todas. E agora ganhou. Sim, ganhou. Com isso, a vida poderia dar uma guinada. Seu Zé poderia sair do asilo, comprar uma casinha, pagar uma pessoa para lhe fazer a comida, arrumar a casa e até lhe fazer companhia. Quem sabe, não arranja uma esposa? Quem sabe a dona patroa não quer voltar para ele? Quem sabe um dos filhos não lhe aceita, ele pode pagar a reforma da casa da mais nova, comprar o terreno do mais velho. Não sabemos o que vai acontecer. O asilo já está contactando o advogado, o dinheiro é nosso. A família, do outro lado, não tem dúvidas de que aquele dinheiro pertence ao pai e só ao pai. E claro que um pai não deixa os seus filhos na mão. Pai é pai (parente do mãe é mãe). Mas para Seu Zé, nada mais importa, ele não quer saber, mostrou-me o bilhete premiado e me disse: eu ganhei na loteria, taqui o bilhete premiado! E acrescentou, num suspiro aliviado: agora posso até morrer sossegado...
Qualquer semelhança com realidades vividas é a mais pura coincidência...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Bolo de Chocolate para Vivi



Hoje inventei uma receita de bolo de chocolate em homenagem a minha prima Viviane. Prima só não, Prima-irmã!

O bolo fica bem fofinho (ela merece!) e os pedaços de chocolate, uma vez derretidos, nunca voltam a ser sólidos (hum... delícia - chocolate derretido no meio do bolo - ela merece também!)

4 ovos

6 colheres de margarina

2 xíracas de açúcar mascavo

Bate bem, bem mesmo!

Acrescente:

1 xícara de chocolate em pó

Bate mais.

150 gramas de chocolate meio amargo em pedacinhos bem pequenos

Bate.

1 pitada de sal (para os iniciates, sal é essencial em todos os doces)

2 xícaras de farinha de trigo com fermento.

Bate só o suficiente para misturar a farinha (atenção para não deixar bolinhas de farinha).

Untar a forma com margarinha e farinha. Recomendo a forma com um buraco no meio.

Assar em forno alto (250 C) por 15/20 minutos e em forno médio/ baixo (190 C) por mais aproximadamente, 10 minutos.

E aí, é acumular elogios, colocar uma cobertura e cantar parabéns! Parabéns, Vivi!

"Encontro Anual das Amigas kkk"


Recebo mais um e-mail típico de quando o ano começa a terminar. (Sim, porque todos os términos têm, também, o seu começo.) E não é que já são minhas queridas amigas e ex-vizinhas, tentando marcar mais um encontro de "fechamento" do ano. Um dos nossos rituais quase secretos de passagem para o ano vindouro.
E lá vem elas com propostas de lugar, comes e bebes e a tal "data" tão esperada para um "ritual" tão nosso.

Esses encontros se iniciaram, eu tinha uns 10 ou 11 anos, e o motivo era festejar o Natal e reunir alguns vizinhos e amigos do bairro para uma confraternização. Os pais e irmãos ou irmãs mais velhas tinham um certo respeito por esta nossa festividade - quase uma admiração mesmo, pelo nosso empenho por realizar um ritual festivo - e sempre buscavam colaborar, como fosse possível.
Hoje, mais ou menos uns vinte anos depois, já estamos um tanto separadas pela distância e não tem mais aquela coisa de quem vai trazer o "frango assado", a sobremesa ou a lazanha. Tentamos e aceitamos ser mais práticas para aproveitar melhor o principal prato da reunião que é a "nossa presença": o testemunho de que não nos largamos umas das outras, até hoje; de que apesar da vida nos puxar para lá e para cá.. estamos sempre retornando ao nosso ritual de união, de força e passagem. Uma espécie de benção da amizade!
Umas casaram; outras casaram e tem filhos; outras continuam solteiras e mudaram de cidade, de bairro, de profissão; outras ainda estão prestes a completar trinta anos e se sentindo muito importantes por isto. rs ( A maioria, porém, já é recém-balzaquiana e feliz - quero acreditar.)
E vem, então, o tal esperado e-mail (de comunicação do evento) e dele, outros tantos e-mails em cascata, de lembranças e chororôs, típicos de amigas bem sinceras, como fomos e somos; sinceras até fazer doer.
Surgem desabafos típicos de um "balanço" de fim de ano. Quase parte de um pré-ritual para o encontro..."Por que você está tão sumida..." "Vocês abriram mão da minha presença no encontro do ano passado e eu fiquei triste". "Não queremos abrir mão da sua presença, mas você está sempre tão distante". "Você não conta mais nada de ti; nem fala mais da sua sobrinha - e olha que sempre pergunto." "Minha vida não tem nada de tão novo, assim." "Ando em crise com o trabalho." "Estou sem namorado e sentindo uma baita falta de ter alguém." E por aí vai...

No final, poderíamos facilmente ir das gargalhadas escritas em linguagem virtual no assunto do e-mail original ("Encontro anual das amigas kkkk") ao choro e as lamúrias ("Encontro Anual das Amigas snif, snif... buá, buá"). "São tantas as emoções", como Roberto Carlos bem cantou, e elas cabem todas muito bem, num ano só.
Temos, porém, todavia, contudo, esta espécie de ritual do fogo, de queima e transmutação de dores e alegrias, que nos traz força renovada para uma nova etapa de vida; que já já precisa nascer. E como isto é esperado (mesmo que inconscientemente) dentro de nós!
Menina MA
Fonte: Imagem do site Amigas do Peito; uma Ong de fundada por mulheres de apoio a amamentação. Aproveite e faça uma visitinha. http://amigasdopeito.wordpress.com/amigas/

2009: Ano Bom!



Feriados 2009 - Brasil/ Rio

01/01/09 quinta-feira /Confraternização Universal
23/02/09 segunda-feira /Carnaval
24/02/09 terça-feira /Carnaval
10/04/09 sexta-feira /Paixão de Cristo
21/04/09 terça-feira /Tiradentes
01/05/09 sexta-feira /Dia do Trabalho
11/06/09 quinta-feira /Corpus Christi
07/09/09 segunda-feira /Independência do Brasil
12/10/09 segunda-feira /Nossa Sra. Aparecida - Padroeira do Brasil
02/11/09 segunda-feira /Finados
15/11/09 domingo /Proclamação da República
20/11/09 sexta-feira /Zumbi/Consciência Negra
25/12/09 sexta-feira/ Natal

Pois é, serão 8 Feriados na Seg/Sex e 4 feriados nas terças e quintas.
Total: 12 Feriados (em dia útil)

Se a gente contar as emendas de Feriados, são mais 4, ou seja, 16 ao todo. Temos ainda 57 finais de semana, então são mais 114 dias (sábado e domingo). E se você tem direito a 1 mes de férias, então são mais 30 dias.

Se a gente somar tudo, são 160 dias de puro ócio. Então sobram exatamente 205 dias de atividade.

Se você reparar bem, são só 7 meses que você vai trabalhar no ano que vem!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A mulher feia

Sou fã de carteirinha da Regina Casé, mas vê-la neste domingo do Fantástico foi, no mínimo, constrangedor.

Ela, a típica mulher "bucha de canhão", acompanhava entusiasmada uma cantiga que tem por maior mérito ridicularizar e desfazer da mulher feia, a tal da dona Gigi. Alguém poderia se perguntar: ela não se enxerga, não?

O que vi foi uma cena deprimente. Não era exatamente contra isso tudo (e mais alguma coisa) o trabalho da Regina Casé ? Contra preconceitos; mostrando o outro lado das favelas; abrindo clareiras nas selvas de pedras?

Repudio estas músicas com tanta veemência que estou muito interessada em ouvir uma opinião contrária, uma opinião que me mostre algo de positivo ou construtivo nestas músicas.

***

Será que esta imagem de mulher feia não quer dizer, simplesmente, mulher pobre? O que é "o lá dá uma gente tão feia", "ô povo feio"....

domingo, 30 de novembro de 2008

"E não nos deixeis cair em tentação..." (Comentários sobre o post "Ave Nilza cheia de graça")

O jantar no Brasil, Jean-Baptiste Debret.



Achamos interessante publicizar um debate importante que começamos a travar a partir de um Post que coloquei no blog.
Seria rico se alguém mais pudesse contribuir e apresentar mais uma forma de "olhar", sentir ou pensar a questão.
Até porque não teríamos como encerrrá-la, penso eu.
Menina MA

Menina F disse...
Menina MA fala das relações entre domésticas e filhos/filhas de patroas que parecem bem típicas das relações sociais brasileiras. Será que isto tem raízes da Casa Grande, que como Gilberto Freyre fala, estava sempre cheia de escravos domésticos e seus filhos? E da relação amorosa entre a ama de leite e o senhorzinho, do ciúmes da senhora branca do mulher negra escrava com o senhor branco... Enfim.
Mas eu queria era contar um caso que me aconteceu. Um francês em minha casa ficou surpreso com o fato de que a empregada doméstica, aqui chamada de "secretária" ( - porque não chamamos os negros de negros, as empregadas de empregadas?), sentar-se à mesa do almoço junto com a família. Ele perguntou: mas quando você vai ao restaurante você chama o cozinheiro para sentar com você? É a mesma relação: você paga para alguém cozinhar para você.
Esse hábito, motivo de orgulho para a minha família, olhado de um ponto de vista estrangeiro, parece menos sujeito a qualquer forma de aprovação, me lembra mais as relações cruéis de sujeitação emocional da Casa Grande.... lembra o desenho do Debret? A negra abanando a senhora, o menino negro brincando no chão e mesa farta posta para o deleite dos senhores.
Temos dificuldade de dar nomes aos bois, assumir nosso preconceito, assumir nossa sociedade altamente hieraquizada, cada macaco no seu galho, preto, branco, pobre, rico, sem misturas. Tanto medo e tanta covardia que vamos inventando formas de relação perversas como a Casa Grande, a democracia racial, as favelas, o rei disso o rei daquilo... mas por que não assumimos logo a nossa condição de súditos?
29 de Novembro de 2008 12:39
Menina MA disse...
Quando escrevi este post e reli, sabia que poderia dar margem a vários outros comentários, interpretações... mesmo assim, quis arriscar abrir o coração e "rasgar o verbo" ou a "taioba", como se diz lá em Minas. Pois bem, é para isto que se serve a escrita ("se serve" mesmo, não foi erro de concordância). Isto é bom para desanuviarmos as idéias, dando um melhor acabamento a "obra", como bem nos ensina um grande filósofo da linguagem, Bakhtin.
Li também "Casa Grande e Senzala" e estudei algum tanto de relações raciais no Brasil e em outros lugares do mundo; refleti também sobre a tão proclamada "democracia racial" que escamoteia muito bem o lugar de cada um nesse nosso "lugar" maior, chamado país. Há uma hierarquia sim, forte, que quase ninguém quer de fato mexer porque quase todo mundo "acha" que vivemos bem assim, tão "felizes" por tudo poder se misturar e ao mesmo tempo ficar em seu devido lugar, quando o "samba" pára de tocar. Porém, há algo de bem mais complexo nisso tudo.
Pensar esta nossa realidade é mesmo algo muito mais complexo e indeterminado, como Morin poderia dizer; tão mais além vão todas essas relações, valores, poderes e afetos... Há tanta subversão e sutileza escondidas também dentro da riqueza deste "cotidiano"; do vivido no dia a dia da atualidade e do passado, deste país. Há também um certo hibridismo nas formas de existir que é fruto de toda esta confluência cultural e conjuntural; que faz surgir também concepções inovadoras ou pelo menos pouco conformadas (mesmo que num movimento micro). Não tem como ser simples ou usar uma lógica compartimentada nestes assuntos, quando eles dizem respeito ao nosso mundo pessoal; não tem como ser politicamente correto porque soa, e seria, falso. Há sim, afetos, valores e concepções sendo criadas, questionadas e redimensionadas - sempre houve, acredito eu - porém, nunca numa dimensão tão revolucionária (pelo menos não, neste nosso país).
Mas, resumindo, e voltando ao cerne da questão inicial, não deixo de ser a "patroa" da Nilza (eu é que pago pelo trabalho contratado com ela... mesmo estando no vermelho) e também não deixo de gostar da companhia dela à mesa, somente porque gosto de bater papo com ela e construímos uma certa empatia recíproca - e por que não... (Não me sentindo, porém, mais bacana ou "cordial" por isto; não mesmo! Acho somente uma sorte poder não me sentir separada dela por um abismo infinito causado pela erosão de nossa desigualdade social e esta convivência ser de alguma forma, também, muito enriquecedora).
A diferença é que tendo alguma consciência disso tudo que foi dito acima; vivo no Brasil de hoje... num país onde ainda reina a desigualdade, o desemprego e a pobreza... o subemprego, a exploração de mão de obra (até mesmo escrava) e a miséria.
E sabendo (hoje) que não posso mudar tudo e inverter qualquer ordem neste país ou quiça no mundo, sozinha... descobri (dentro desta solidão) que posso começar a subverter algo no meu mundo interior; seja no mundinho do meu pequeno conjugado, da minha mente ou do meu coração. (rs)
E realmente não sei se há racismo ou "sujeição emocional"melhor... se seria o "à francesa" (mais frio e impessoal, talvez) ou o "à brasileira"(afetivo e caloroso até demais). Todos eles, na minha opinião, são péssimos "pratos" para se servir, quentes ou frios.
29 de Novembro de 2008 21:49

Orgasmos Múltiplos


Meninas, algumas de vocês vão achar este meu texto de uma inocência sem par. Mas acho que vale a pena escrevê-lo para compartilhar com vocês a descoberta que um dia, com a ajuda de uma amiga, eu fiz. Se eu não sabia, do alto dos meus 20 e poucos anos, é provável que outras também não saibam.

Orgasmo múltiplo não é bicho de sete cabeças. Não precisa ser uma deusa sexual, nem ter um parceiro/a sensacional. Basta tentar! Tem gente que acha que orgasmo múltiplo é para atletas sexuais, praticantes de sexo tântrico e o escambau. Eu afirmo que não, do fundo da minha mais convencional vida sexual, posso afirmar: orgasmo múltiplo é para todo mundo! Não tem mistério e eu vou te contar, agora mesmo, como se faz!

Sabe quando você tem um orgasmo? O que acontece depois? Você pará, relaxa, curte a delícia da sensação? De hoje em diante, não pare! Continue. Dê asas à imaginação se estiver sozinha e, se acompanhada, peça mais! Daí, tchum! Garantido: orgasmo múltiplo. O orgasmo que vem depois é diferente, mais intenso, até por que as partículas nervosas já estavam em “estado alterado de consciência”. Imagina com uma segunda carga nervosa!

Então, queridas, acho que, como o nome diz, não tem limite para o número de tentativas, o orgasmo pode realmente ser múltiplo. E não tem contra-indicação. Caso vocês se aventurem, com êxito ou não, nada mais generoso que nos contar... Aguardamos.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Para dar uma risadinha

A ESTRANHA BELEZA DA LÍNGUA PORTUGUES

Este texto é dos melhores registos de língua protuguesa que eu tenholido sobre a nossa digníssima "língua de Camões", a tal que tem famade ser pérfida, infiel ou traiçoeira.

Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade,subiu para o palanque e começou o discurso:

- Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados,reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ouassunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida oumorte. O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou juntaé a minha postulação, aspiração ou candidatura a Presidente da Câmaradeste Município.

De repente, uma pessoa do público pergunta:

- Ouça lá, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, paradizer a mesma coisa? O candidato respondeu:- Pois veja, meu senhor: a primeira palavra é para pessoas com nívelcultural muito alto, como intelectuais em geral; a segunda é parapessoas com um nível cultural médio, como o senhor e a maioria dos queestão aqui; A terceira palavra é para pessoas que têm um nívelcultural muito baixo, pelo chão, digamos, como aquele alcoólico, alideitado na esquina.

De imediato, o alcoólico levanta-se a cambalear e "atira":

- Senhor postulante, aspirante ou candidato: (hic) o facto,circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico,alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer queo meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasca(hic). E com todo a reverência, estima ou respeito que o senhor memerece (hic)pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seushaveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou irdireitinho (hic) à leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãebiológica ou à puta que o pariu!

Para descontrair quando nos sentimos o próprio Cascão!

Fonte: Maurício de Souza
http://i82.photobucket.com/albums/j250/faxina/aaaa.gif

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"Ave Nilza cheia de graça..."


Outro dia de faxina...
Nilza chega cedo e me acorda com a campainha (isto porque tive uma noite de sono interrompida pelo vizinho de cima, mais uma vez...). Ela chega e já me sacode com toda a sua presença; com aquela sua voz sonora e ritimada e um sotaque levemente carioca. Ela vem e seu modo animado e peculiar de falar traz uma energia de mudança, transformação... limpeza.
Então, esse espacinho aqui de casa se revoluciona. Fico impressionada com o tanto que ela faz; com a facilidade, rapidez e sutileza com que encontra coisas e coisas pra fazer e "mexer" num lugar tão pequeno. "E esta roupa aqui... Ih, ainda não consertou a máquina de lavar, não é... Olha, eu tirei aqueles seus papéis do cantinho e limpei porque estava juntando muita poeira." (E eu que tinha dito- por pura vergonha- que esse cantinho bagunçado com papéis não precisava limpar...)
Bem, Nilza chega e literalmente algo "acontece". Ela me "acorda"! Dá-me uma "sacodida"!
Sabe o que é ter alguém para te ajudar a cuidar de suas coisas mais íntimas e cotidianas; das suas desorganizações, dos seus desconsertos e "sujeiras". Ela acabou virando parte integrante do meu espaço, da minha vida, da mágica fórmula para o meu equilíbrio interior (e exterior).
Ela atua como uma espécie de bruxa... uma curandeira... Uma "faxineira espiritual" é a Nilza! (E ela que não me ouça dizer isto porque é batista, daquelas que usam saias na altura dos joelhos e cabelos compridos.)
Ela fala!!! Compete comigo "pau a pau" nisto. E eu adoro ouvir ela falar. (Eu até fico calada...) Acabo atrapalhando o ritual da faxina e perguntando coisas para render um assunto ou chamando ela repetidamente para vir tomar café à mesa comigo, para me contagiar com a sua energia poderosa .
Peguei-me pensando que em tão pouco tempo que a conheço, já me sinto bem apegada à sua pessoa. Ela também demonstra o "e vice-versa" disto, quando faz cara triste se eu ainda não tenho o dia certo para marcar "a próxima". Mas ela está mesmo precisando do trabalho; tem família pra criar. O que me contenta é que, às vezes, ela se empolga com nossos papos sobre comida, cozinha e estórias longas de quando começou a trabalhar em "casa de madame" e eu é que tenho que mandá-la embora para ela não perder a festa da igreja, para qual ensaiou o mês inteiro e fez até uniforme.
Tenho vontade de rir quando imagino que ela possa falar de mim assim, do mesmo jeito que fala de outra "patroa" - forma como ela gosta de tratar as "donas" das casas nas quais ela trabalha ou já trabalhou. Já posso até"escutar" os seus comentários, quando ouço ela me chamar de "Dona Maria". (E "dona" é uma escolha tão dela que não adianta eu tentar mudar. Tenho que respeitar.)
Nilza ama o que faz e tem orgulho disso. Ela brilha os olhos ao falar que o doutor gostou muito mais do seu gnochi que o da outra cozinheira da casa; fica prosa com os elogios da outra patroa ao embelezamento que dá em suas saladas e ressalta os conselhos que dá à irmã, sobre com qual frequência limpar os vidros das janelas. Ela explicando como gosta de decorar a salada, fazendo florzinhas com (como é mesmo que chama aquilo...) é bom demais de ouvir.
Não gosto muito da idéia de ter alguém para cuidar do trabalho de casa enquanto eu fico com os pés para cima e as mãos abanando; além do fato de a grana estar meio curta para isso. Só chamava bem de vez em quando, em épocas de aperto, quando não dava mais para aguentar. (Minha relação com as empregadas domésticas e faxineiras que trabalharam em minha família eram muito misturadas com amizade, afeto.... causando ciúmes`a minha mãe; e isto era um tanto problemático).
Sinto, porém, que não chamar a Nilza agora, pelo menos uma vez ao mês, é não ajudá-la a sustentar sua família e deixar de compartilhar meu lar com ela. Aqui também já é seu espaço; um pequeno espaço que nós duas cuidamos - cada uma à seu modo.
Como disse a ela da última vez que esteve aqui: "Acho que a casa estava com saudades de você!"
Acho que esse lar precisa mesmo da Nilza e de sua presença sempre cheia de graça!
Amém. (Que assim seja.)
Menina MA

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Para descontrair durante a sua TPM ou a da sua mulher, amiga, filha, vizinha, etc.


Comentários de uma Menina "Descomportada" (ou com TPM)


Acabo de ler uma coluna de um site feminino de uma doutora em comunicação... E a coluna tem um nome que já não me é muito simpático ou "fácil de engolir" porque tem o nome: "Comporte-se". E tudo o que uma mulher desde menina ouve é esta frasezinha chata: "Comporte-se". (Acho que não ficaria muito bem num bom site feminino, visto que a maioria de nós, mulheres, fomos tão recalcadas com o tal "Comporte-se! Você já é uma mocinha" Ou "você é uma menina/garota!")
Não sei se por já ser um tanto "descomportada" ou uma "sem paciência" com certas palavras ou expressões mal colocadas, e (ainda) estar com TPM...
Lendo a tal coluna e tendo estudado um pouco e convivido anos com pessoas que vivenciam questões como a diferença "racial" - e mais especificamente, a do negro em nosso país; não pude deixar de "deixar" um comentário nesta coluna. (O que raramente faço; apesar de não saber se vão mesmo publicá-lo.)
Bem, por via das dúvidas, vou "deixá-lo" aqui também, e não perder um espaço para o meu desabafo.
Leiam primeiro a coluna, se quiserem entender o meu incômodo; um tanto amplificado pela TPM http://delas.ig.com.br/comportamento/comporte_se/2008/11/08/michelle_obama_e_o_destino_do_onibus_de_montgomery_2102219.html
E posteriormente....

"Comentários como "mas a eleição de um negro para a Casa Branca atesta que a luta pela igualdade entre brancos e negros chegou ao fim" ou de que a "tolerância" seja um "valor máximo", deveriam, na minha opnião, ser colocados com maior cuidado em um texto que aborde questões raciais. Em primeiro lugar, porque uma luta tão ampla e sutil como a de quem vive a questão racial "na pele" não termina aí; com um fato histórico a mais. (Embora, adorasse que este conto de fadas "a la cinderela" virasse mesmo "abóbora".) E para finalizar (o que não tem bem um final...), "tolerância" é um valor médio; na verdade, mediano mesmo... desses que nos dão até um pouco de vergonha, mas que ainda são necessários num mundo dominado por valores tão etnocêntricos.
Alguém à tolerar ou uma etnia à tolerar nos faz sentir o quanto ainda somos insimesmados, cheios dos nossos valores."
Menina MA (de TPM)