sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Um "outro ensaio" sobre a cegueira ou uma "nova cena" sobre a visão




Alguns dias depois de ver o filme dirigido por Fernando Meirelles (que nos dá motivo para sentir orgulho do fato de sermos brasileiros), volto a vida normal. A cegueira branca tão bem retratada pelo moço nos faz perder a fala; ficamos meio mudos.
Ler o livro de Saramago sobre a cegueira não encerra as visões que podemos ter com sua bela ficção/reflexão literária. Não tem muito o que dizer... Vale a pena ver, quem tem olhos de ver, ou pelo menos ouvir atentamente os sons desta belíssima encenação (montagem) cinematográfica.

Trabalhei com um professor que era cego durante alguns anos. Lia para ele algumas vezes e, talvez, esta convivência tenha sido uma das coisas que mais alteraram os meus "sentidos". Ele me emprestava sua visão do mundo e eu emprestava os meus olhos à ele. Emprestava a minha voz (também), tão desperdiçada, para dar vida as palavras amortecidas nos livros de história, placas de ônibus ou cardápios de lanchonete.

Mas, poucos dias depois de ter visto o tal filme do tal livro que deu origem a um "ensaio" sobre a cegueira, presenciei uma "cena" viva, pulsante, que cobria a cegueira e a visão - tudo junto e ao mesmo tempo. (Ainda não tivesse a tal linguagem para transformá-la num "ensaio".)
Um casal formado por um homem e uma mulher cegos, caminhando por um passeio com sua filhinha bem pequena, que enxergava.
A menina olhava para todos os lugares ao seu redor e comentava o mundo que via com os pais; que ao mesmo tempo em que tentavam advinhar o que ela estaria enxergando, davam-lhe uma orientação àquela visão.

A "cegueira" dá a luz a quem enxerga... A cegueira dando orientação à uma "nova" visão.
Metáforas para "ensaios" e "cenas" que envolvam os sentidos.
Menina MA


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

São Pedro da Serra ("Toda paz do Universo")

"Há um vilarejo ali, onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa... Vê o horizonte deitar no chão."
Neste último final de semana com um "meio feriado" na segunda (a antecipação do dia do funcionário público) tive a grata surpresa, já um tanto aguardada, de conhecer um lugarejo com uma paz renovadora; em meio à montanhas, pedras e águas cor de coca-cola.
Acho que em São Pedro da Serra (Nova Friburgo - RJ), tudo fica muito poético; até a cor de coca-cola da água vira poesia. rs Não é por acaso que a placa que fica na entrada, possui a seguinte inscrição: "Toda a paz do universo" a 4 km.
Lá a respiração fica mais lenta... o sol nasce devagar e bonito atrás das montanhas, em meio a um céu azulado. E as nuvens fazem aqueles desenhos que só quando pequenos sabíamos contemplar direito.
Uma experiência tão peculiar, particular, acaba trazendo mesmo o desejo de se compartilhar.
E foi só começar a querer escrever, que a música da Marisa Monte veio tocar ao fundo... Vou dedilhá-la para vocês, nas teclas do meu computador:

"Lá o tempo espera... Lá é primavera... Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar"

E não é que lá é assim mesmo - sem tirar nem colocar.
E como se não bastasse, é um lugar onde habitam pessoas muito bonitas.
(Nem querendo passar perto daquelas expressões execráveis como: "em tal lugar dá uma gente bonita" ou - o que seria pior ainda- "este lugar tem uma gente feia". Eu vivo a me perguntar, quando ouço bobagens desse tipo, se esta "diferença" estética não se dissiparia com um pouco mais de dinheiro - bons shampoos, cortes de cabelo, cremes e roupas "da moda", etc. As tais pessoas ditas "feias" se tornariam magicamente "bonitas" e vice-versa, e coisa e tal.)

Quando escrevi a frase mais acima, quis falar de pessoas que sorriem largo... esbanjam simpatia e gentileza - alegria de viver. Gente como a Zelma, como a Morena (que mora no lugarejo ao lado, Lumiar) ou como o Tiago que acabou de se mudar.

A Zelma na sua lojinha de artesanatos, livros e CDs - uma espécie de centro cultural de São Pedro. Lugar onde ela expõe sonhos pontilhados por ela mesma em tecidos, com a arte do Patchwork. Ela consegue retratar o lugar de uma maneira literalmente "fofa"- como ele realmente parece ser... de algodão. Isto sem falar no seu papo gostoso sobre literatura, música, viagens. Quem já pensou em ir a uma loja de souveniers e sair de lá com mimos que a própria dona da loja não deixou você comprar porque queria simplesmente lhe dar de presente. É o respeito ao círculo da dádiva... aos vínculos nascidos nas trocas sinceras e "bem para além" das transações mercadológicas.
(Vocês podem conhecer a Ecoarte, da Zelma, aqui http://www.ecoartebrasil.com.br/ E não deixem de clicar na seção "idéias" que possui alguns artigos para quem quiser saber mais sobre a história, ecologia e assuntos afins ao lugar.)

Como não apreciar também a beleza na pessoa de Morena, que com um sorriso luminoso e os braços abertos, nos dá aquele acolhimento de "vidas passadas" - já que você ainda não a conhecia, desde então. Poder experimentar o seu suco verde, demorado (preparado especialmente para você, a partir de uma consulta cuidadosa) e comer o shapati (massa com cereais integrais) recheado com doce de banana feito por ela no dia. Esta artesã de orixás, morena, de cabelos lindamente grisalhos e sorriso radiante, conquista o coração de qualquer pessoa que tiver a sorte de encontrá-la. Acho que ela já faz parte daquela outra dimensão - a do tão proclamado e pouco usado, amor incondicional.

E, por último, narro mais um "grande encontro" proporcionado por São Pedro (não sei se pelo santo mesmo, ou se pelo lugar), o Tiago. Menino-homem, com olhar sensível; apaixonado pelo que quer fazer na vida; falando com sua voz calma e emocionada, que busca inspiração olhando para cima, ao recitar poesias árabes que acabou de aprender, seus salmos preferidos, ou a visão de filósofos um tanto desconhecidos.
Tudo isto em uma noite na qual consegui me embebedar e ter ótimos devaneios tomando uma só taça de vinho (juro!) no boteco/casa do qual já me esqueci o nome (mas que ainda não me saiu da lembrança).
Acho que foi o banho de cachoeira!!!
Foi a inspiração divina que recebi das águas cor de coca-cola!
E "é isso aí" (mesmo)! Como diria o slogan.
Vou indo, deixando a mesma música que não consegui fazer parar de tocar

"Pra acalmar o coração... Lá o mundo tem razão"

Menina MA

Obs.:
Vilarejo - Marisa Monte www.youtube.com/watch?v=-g83_ZRGM48
As imagens postadas são dos patchworks feitos pela Zelma e estão disponíveis na página da Ecoarte.
Sites onde há informações sobre hospedagem, eventos e festas tradicionais do lugarejo. http://www.saopedrodaserra.tur.br/ http://www.lumiaresaopedrodaserra.com.br/

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A ação da imprensa brasileira num caso de sequestro


Isto aqui não é um blog jornalístico, em essência, mas podemos trazer matérias que nos fizeram pensar. E querendo ser democrática, achei muito interessante a crítica feita pelo ex-comandante do BOPE, sociólogo, co-autor do livro "A Elite da Tropa" e roteirista do filme "Tropa de Elite", Roberto Pimentel.

Ele fala em uma entrevista, sobre a infeliz participação da imprensa num sequestro de tamanha gravidade, como o acontecido em Santo André (SP) nos últimos dias - o que, na opinião dele, prejudicou o desfecho do caso.

Não vou me estender, caso alguém queira se informar melhor sobre a matéria, acesse o endereço abaixo.


Menina MA

"Tentando engolir as tragédias da tela"


Li uma boa reflexão feita por uma jornalista de um site feminino, Adilia Belotti, sobre o sequestro ocorrido em Santo André, que terminou a com a morte da refém, a adolescente Eloá.

A autora aborda vários pontos com os quais concordo, em especial, quando coloca que o fato ocorrido não está tão longe de nós, pelo fato de ter se passado "do outro lado da tela".

Quando entramos nos meandres mais humanos e sócio-culturais do caso, nos deparamos e identificamos questões comuns ao nosso "infinito particular" (como cantou Marisa Monte).

Deveríamos então nos preocupar com algumas questões em torno desta tragédia. Fica aqui a minha sugestão.

Menina MA



Obs.: A imagem é do site Delas ig: foto da jornalista Adilia Belotti. Gosto muito dos textos desta colunista.

Para quem está em Brasília


Foto: Michel Brunet, paleontólogo francês, compara o Homem de Toumai (esq.) com um chimpanzé.


PALEONTOLOGIA

Michel Brunet faz palestra na quarta
O paleontologista francês Michel Brunet, responsável pela descobertado crânio de hominídio mais antigo do mundo, faz palestra nestaquarta-feira, 22 de outubro, às 19h, no auditório da Fundação deEmpreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), próximo à L3Norte.
O especialista e sua equipe encontraram em 2001, na África Central, um fóssil batizado de Toumaï, de 6 a 7 milhões de anos. Até então, o registro mais antigo de um hominídeo datava de 3 milhões deanos, então nominado Lucy.
O evento tem o apoio do Instituto deGeociências da UnB e ocorre por ocasião da Semana Nacional de Ciênciae Tecnologia. O auditório tem capacidade para 200 pessoas.
Entrada gratuita.
Informações pelo 3348 0479.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Provérbio Indiano num Imã de Geladeira


Acho que já disse aqui, que comecei há algum tempo a colecionar frases de imãs de geladeira. Não sei exatamente porque, mas... aconteceu. Alguma frase me pegou de jeito e pronto.
Eis que esses dias... um dia após eu dar alguns desses mimos para uma amiga, de aniversário, eu ganho uma dessas "frases" de presente também.
Atravessando de manhã, uma rua da Glória no Rio, dou de cara (pasmem!) com um imãnzinho dentro de uma embalagem de plástico. Caído; abandonado; todo molhado... e quase dilacerado.
Evidentemente que tive que resgatá-lo rapidamente e salvá-lo daquele perigo de se extinguir em meio aquela rua enlameada de chuva.
Já pensou o que representaria para mim, deixar mais uma "frase" ser desperdiçada, descartada para o lixo? Ou o que seria perder aquela frase (talvez, importante ou até muito importante) para a minha vida?
Mas a "frase" falava justamente de silêncio:

"Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores do que o silêncio."
(Provérbio Indiano)
Uma boa inspiração para quem gosta tanto de falar ou escrever, como eu.
Menina MA


segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Um imenso grotão? por Otavio Velho

Texto do antrópologo Otávio Velho (professor emérito da UFRJ/ Museu Nacional) para a Folha de São Paulo, de 31 de outubro de 2006, analisando as eleições de 2006, quando Lula foi reeleito.

UM IMENSO GROTÃO?



Otávio Velho




Em décadas passadas, pesquisei, no Sul do Pará, como os pequenos agricultores eram atormentados pela possibilidade da “volta do cativeiro”, assunto recorrente entre eles e que tinha a ver com as ameaças brutais e permanentes a sua existência social. Retornando recentemente à região, fui surpreendido pelos testemunhos de que já não se fala mais disso e de que, ao contrário do que parecia ser o seu destino inexorável, os pequenos agricultores não desapareceram. Hoje, organizados de variadas maneiras, recuperaram muitas das terras que haviam sido ocupadas ilegalmente pelos grandes proprietários desde o século XIX. O outrora poderoso patriarca da principal família da oligarquia local encontra-se em prisão domiciliar, acusado de assassinato.
Testemunhos como esse se multiplicam e são trazidos por diversos observadores de várias regiões do país, sobretudo Norte e Nordeste: atividade intensa na produção e no comércio local, novas iniciativas, uma nova dignidade. Despercebidas das camadas médias das nossas metrópoles, transformações importantes vêm ocorrendo, ainda que as disparidades sociais permaneçam imensas.
Pois é em ambientes como esses que muitas vezes são implantados os programas sociais do governo. Ou seja, esses programas não só não partem do zero como demonstram capacidade de afinar-se com o que já vinha se dando. Ajudam a acelerar as transformações em curso que levam seus protagonistas a multiplicar suas articulações e a ganhar uma percepção globalizada da situação. Esses programas não podem ser paternalistas: os agentes governamentais é que seguidamente têm que “correr atrás” do que já vem ocorrendo.
Os habitantes dessas regiões em geral sabem disso, o que explica por que nestas eleições votaram maciçamente em Lula - figura certamente paradigmática e com a qual estabelecem uma comunicação que não é só a das palavras. Assim votaram não por terem sido submetidos a uma nova servidão, pois o que está em jogo é a libertação do cativeiro, inclusive do cativeiro político, substituído por uma disponibilidade para o estabelecimento de parcerias com os agentes sociais que estejam dispostos a se aliar a eles.
O ambiente social e econômico de intenso dinamismo faz lembrar por analogia os efeitos do microcrédito, que foi responsável recentemente pela outorga de um Prêmio Nobel a Muhammad Yunnus. Neste ponto, política social e econômica se encontram, e a idéia de que as políticas econômicas dos governos de Lula e de FHC são iguais não leva em conta essa interseção, reiterando uma visão restrita e segmentada. Visão, aliás, que não é das elites, pois de outro modo não se entenderia a sua renhida oposição a Lula.
Na falta de conceitos adequados, a tendência é ignorar o que se passa ou tentar reduzir tudo a imagens anteriores. Imagens como a da divisão do país entre uma face supostamente progressista e outra, atrasada, dos “grotões” tidos como dependentes do Estado, quando na verdade essa dependência se traduz num volume de recursos que nem de longe se aproxima daquele de que se beneficiam direta ou indiretamente os setores considerados avançados. Ainda está por se fazer a teoria econômica e social de tudo isso. Mas a eleição que agora termina teve o mérito de não deixar que se continue a ignorar o que se passa, mesmo à custa de muita perplexidade. Isso porque a grande votação de Lula não permite que a consideremos como oriunda dos grotões: é impossível que haja tanto grotão assim. Além do fato de que não foram os grotões que elegeram Maluf e Enéias; e não foi o suposto centro que derrotou Severino Cavalcanti e ACM.
O movimento do primeiro para o segundo turno abalou as crenças sobre a importância dos “formadores de opinião” e a suposta transmissão de informações e de valores partindo do centro para a periferia. O que houve foi uma inversão de mão e uma extensão, através de mecanismos moleculares que pouco conhecemos, daquele que já havia sido, no primeiro turno, o voto preferencial da chamada periferia. Foi ela que mostrou, assim, sua capacidade de influência e indicou a possibilidade de reduzir os riscos da polarização Norte-Sul vaticinada por alguns.
Vamos ver de quanto tempo precisaremos para absorver tudo isso. Absorver, inclusive, que o crescimento econômico precisa ser qualificado e de que não se trata apenas de fazer crescer o bolo. Neste ínterim, esperemos que a capacidade de reconhecer a nova situação prevaleça sobre o ressentimento.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Culpa é do Fidel


Não fiz nenhuma pesquisa sobre o filme. Ele foi sendo recomendado, por uma, duas, três pessoas ou mais. E eu fui perdendo a oportunidade de vê-lo em uma, duas ou mais salas em que ele esteve em cartaz, no Rio.

Bem, então, finalmente aconteceu. Fui assistí-lo ontem à tarde, numa pequena e linda sala (que possui um arco de pedras no alto) do Paço Imperial, na Praça XV. Fui correndo com medo de perder outra das tantas oportunidades. E valeu! Como valeu a pena!
Um filme que aborda questões históricas e políticas do início da década de 70, tais como o Franquismo, a eleição de Allende no Chile e o fortalecimento do movimento feminista na França. Acontecimentos contados a partir de um microcosmo: a vida de uma pequena família, na França.
Este filme, na verdade, é contado a partir do ponto de vista mais micro possível (digo: até no tamanho), o universo de uma criança que vai crescendo, adquirindo valores e construindo "entendimentos" na sua pequena e rica história de vida.
A menina, personagem central do filme, deveria era ganhar um prêmio de melhor atriz... se não é que já ganhou alguma coisa e eu nem devo estar sabendo. Pois ela dá um banho de interpretação em muito marmanjo por aí. rs
Para mim, nada poderia ter sido mais filosófico do que ver essas transformações históricas e políticas a partir do ponto de vista de um serzinho (muito pensante) que se constitui (e vai se constituindo, ao longo do filme) em meio a complexidade dos fatos e de seus afetos e valores - experiências que geram compreensões e inserções diferenciadas no mundo. E este mundo vai se apresentar repleto de contradições inerentes às culturas e aos contextos histórico e social em que ele/ela vive e participa ao seu modo.
Enfim: "a criança é um sujeito histórico!" Parecia gritar o filme... "E ele ou ela podem possuir uma excelente história à contar."
Um belíssimo trabalho dirigido por Julie Gavras que vale a ver e aplaudir.
Menina MA (mas não tão má. rs)

E para não dizer que não falei de frases...

"Existem tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro.
Mas custam tanto!" (Groucho Marx)



Fonte: Imã de geladeira, da geladeira da minha casa. Menina MA

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Toda paixão é a primeira

Menina F

"Cozinhando palavras com as Meninas Gerais"


Abdico hoje do meu antigo blog "A menina que gostava de mapas" e lanço, em parceria com a Menina MA, o primeiro post do nosso mexidão requentado, o "Meninas Gerais"! (Menina F)

Bem, como não gosto muito de cozinhar ou comer sozinha, recebi com imenso carinho e consideração o convite da amiga Menina F para fazer uma parceria. O meu antigo blog, "Cozinhando palavras", aonde eu só experimentava receitas... vai poder montar sua cozinha aqui, e começar a servir alguns pratos para fora.
(Menina MA)

"Meninas Gerais" era um sonho de blog antigo... que combinou com "Cozinhando Palavras" que combinou com o “A Menina que Gostava de Mapas”. 3 em 1. O "Meninas Gerais..." é o mapa das minas... e se há uma coisa que combina com Minas é a cozinha!
(Menina MA & Menina F)

Obs.: Achei especial encontrar esta imagem acima, que faz parte de uma exposição: "Meninas Descalças". Ela conta um pouco dos sentimentos e emoções que transcendem de todas as mulheres do universo de Telma Quevedo, uma mineira de Belo Horizonte. (A artista plástica é um dos talentos revelados pela consagrada Yara Tupynambá.) Os traços pontilhados, de um estilo muito pessoal, falam ao mesmo tempo das muitas mulheres que habitam o íntimo de uma única mulher - a diversidade da alma feminina e sua delicadeza. (Menina MA)

Fonte: http://www.cultura.mg.gov.br/?task=interna&sec=4&cat=29&con=1416&limitstart=15&all_not=y

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ser adulta e pesquisar crianças


Demora muito, depois de alguns meses (anos?), finalmente você vê o resultado de um trabalho acadêmico, as vezes impresso, as vezes online...Tive a surpresa de encontrar um trabalho, que já foi apresentado em congresso (25a. ABA) em 2006, finalmente em formato digital.


Ser adulta e pesquisar crianças: explorando possibilidades metodológicas na pesquisa antropológica


Aqui está o link:





No artigo, apresento e discuto os vários métodos e técnicas de pesquisa utilizados na confecção de minha tese de doutorado: observação participante, desenhos, redações, filmagem, diários, fotografias, cartas, entrevistas com crianças, programas de rádio...


PS: O artigo tem seus momentos de ingenuidade, de excesso e um tom de comédia, talvez pouco acertado. Mas não quis ofender ninguém e espero que minha vizinha saiba entender isto (mesmo sabendo que ela não vai entender...)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Paulo Freire segundo a Veja

VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA
por CONCEIÇÃO LEMES

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O queestão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira,ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lápelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que emclasse mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiroargentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citaçõespositivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatrampersonagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental,como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinaçãoesquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidosna pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein,talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diantede uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhoresdocentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvezajude a explicar o fato de eles viverem no passado".

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofoRoberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigopublicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera.Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática deagredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação daprefeita Luiza Erundina.
Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte cartade repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra PauloFreire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dosmaiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minhamais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cadasemana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadasde nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobresua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama suaopção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas ,camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.
Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoarpessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo,que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, maisbonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeiravez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituárioda revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos osoutros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo,apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.
A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmentecom o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética,certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criadapor Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém queé conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.
Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que,certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitaspelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedadebrasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável,elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam emfavor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os maispobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamosconseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.
Superação realizada não só pela política federal de extinção dapobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual estapolítica de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundoque todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela.Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a máapreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dãocontinuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cataàs bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo atohumanista no nefasto período da Ditadura Militar.
Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe médiabrasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", estamatéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homemhumilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez edignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Pauloplantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-loinsignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho,pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que háde mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: opensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país,independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade oureligião.
Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nosdá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram avoz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedadebrasileira está no caminho certo para a construção da autênticademocracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente arevista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire".

O Grande Chefe/ Lars von Trier


“O grande chefe” (2006), uma comédia de Lars Von Trier? O que será uma comédia de Lars Von Trier? Acostumada a debulhar-me em lágrimas com filmes como “Dançando no Escuro/ Dancing in the Dark” (2000) e “Ondas do Destino /Breaking the Waves” (1996) e ficar dias matutando sobre filmes como Maderlay (2005) e Dogville (2003), pensei comigo, será que ele sabe fazer comédia?

O filme certamente, não suscita gargalhadas intermitentes, mas com certeza, deixa o espectador grudado na trama com um sorriso maroto iminente.

O que tem de bom nos filmes do Lars Von Trier, na minha (leiga) opinião, é o elemento surpresa. A gente não consegue prever nada. O desenrolar da estória sempre vai por caminhos nunca imaginados. O inusitado começa pelos enredos.

Neste, o dono de uma empresa contrata um ator para fingir ser o presidente numa transação comercial complicada, a venda da companhia. O espectador não sabe por que diabos ele faz aquilo, mas o filme vai se mostrando (e dando) aos poucos. Na verdade, o dono da empresa, buscando ser amado por seus funcionários, cria esta figura hedionda, o grande chefe, que é quem toma todas as decisões antipáticas. Demite os funcionários; faz críticas, corte de salários e benefícios. Mas que, convenientemente, nunca está presente. Na verdade, com a comunicação virtual, não haveria necessidade de um presidente presente (e o filme pode ser visto por este prisma: o mercado de trabalho e as empresas no século XXI), mas a venda da empresa exige a sua assinatura, e é aí que o ator entra em cena.

O potencial comprador da empresa, um finlandês, e sua xenofobia contra os dinamarqueses e seu sentimentalismo, é um dos pontos altos do filme. (Li numa entrevista com o diretor, que os dinamarqueses adoram ser chamados de burros!) Assim, como toda a atuação do ator que faz o ator fazendo “o chefe”. Nota dez.

A única ressalva que eu faço é a uma voz de fundo, que parece ser a do diretor mesmo, que de tempos em tempos aparece para dar uma parada no ritmo da comédia. Eu não gostei ou não entendi, acho que não precisava. Pena eu não entender dinamarquês, imagino ter perdido muito com a tradução.

Outro fator comum aos filmes do enfant terrible do cinema dinamarquês é que os personagens centrais são geralmente bons e inocentes. Pelo menos, é assim à primeira mirada. Ao decorrer do filme eles cometem atrocidades, mas não por que quiseram, mas por que foram envolvidos pelo destino numa trama horrenda de sofrimento. São como os heróis da tragédia grega: não podem fugir das armadilhas do destino. São tomados, possuídos. Ao expectador, fica a perplexidade diante do espetáculo da vida.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Por que eu amo este país




Estou dando aulas de Português para dois irmãos australianos. Um deles, na faixa dos 35 anos de idade, é forte, bonito, de estatura mediana. O outro, de olhos azuis claros, tem menos de 18 anos. É magro. Eles vêm para a escola de moto, porque trazem sempre os capacetes a tiracolo.

A escola, onde eu ensino, não é barata. Ela é direcionada, sobretudo, ao público de empresas. O preço do curso é aproximadamente 150 GPB por mês, com duas aulas de duas horas por semana.

Ontem, na segunda aula, trabalhamos as profissões. Qual não foi a minha surpresa ao perguntar ao garoto magro qual a sua profissão. A resposta que eu ouvi, um tanto incredulamente, foi: peão de obra! Sorry. Can you repeat? Perguntei. Peão de obra. Isso mesmo. O seu irmão mais velho, também. Os meus alunos são trabalhadores da construção civil.

Quando, no nosso país, um peão de obra poderia sonhar em fazer um curso de línguas? Quando, em nosso país, ele poderia dispor de 150 GPB por mês para um passa-tempo cultural? É por isso que eu amo a Inglaterra.

A diferença entre o salário de um engenheiro civil (aliás, temos um engenheiro civil na mesma sala) não é estratosférica. O peão de obra pode sonhar em passar as férias de verão em uma praia paradisíaca no Nordeste do Brasil. Sonhar e realizar. As passagens dos dois irmãos já estão compradas. Em dezembro, eles vão para Natal.

Se há alguma razão para amar este país, sendo eu uma brasileira, ela está aí: aqui o peão de obra pode aprender uma língua estrangeira para não fazer feio no seu próximo destino internacional.






Na foto: A famosa foto dos trabalhadores almoçando sentados em uma viga durante a construção do edifício GE (antigamente chamado de RCA) em 1932, registrada por Charles C. Ebbets.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Obama é liberal!

O candidato democrata à presidência dos EUA cumprimenta a mulher do seu vice com um beijo na boca! O fato vem provar, caso vocês ainda não saibam, que Obama é liberal! Mas a pergunta que não quer calar é: por que ele não beijou o vice também?

http://www.youtube.com/watch?v=QzQg9U4BDrE

Castelo de Leeds / Leeds Castle


No sábado passado passamos um dia maravilhoso no Castelo de Leeds (Leeds Castle) que fica localizado no povoado de Leeds, em Kent, Inglaterra. Pegamos um trem pela manhã (10:18) e só voltamos para casa depois das 21:00. Estavámos em um grupo de sete pessoas: Shipra (indiana), Erlend (norueguês), Rafael (espanhol), Sofia (chilena), Niraj (inglês-indiano), Alexandre (francês-tunisiano) e eu, finalmente, Flávia (brasileira). Viajar de trem pela Inglaterra em grupo é uma boa maneira de economizar dinheiro: 4 pessoas pagam pelo preço de 2 e assim por diante. Da estação de trem Bearstead para o castelo, dividimos o taxi (3.45 GPB ida e volta/ pessoa), o que saiu mais barato que pegar o ônibus (5 GBP ida e volta/ pessoa).

Assim como quase todo mundo, levamos o nosso lanche e fizemos vários pequenos pequiniques durante o dia. Assim economiza-se na alimentação. O passeio pode até parecer caro. O preço do trem é 15.40 GPB partindo de London Bridge, o preço do ônibus 5 GPB e o preço para entrar no castelo e nos jardins é 15.00 GPB. Some alguma bebida quente ou fria, um sorvete ou um cerveja e vai mais 4.00 GPB. Vamos dizer uns 40 GBP sem contar o pequinique. Mas o ingresso do castelo e jardins pode ser reutilizado quantas vezes você quiser durante o prazo de um ano! E se você viajar em grupo, o bilhete de trem pode ser reduzido e, o optando pelo taxi, reduz-se o preço do transporte.

Fazia calor e sol, um dia tipicamente não-inglês e o resultado foi um nariz orgulhosamente vermelho ao chegar em casa. Quando faz sol em Londres as pessoas se sentem obrigadas a sair de casa e “mexer o seu traseiro gordo”, como diziam os saudosos Cacetas em outras épocas! Poucos têm coragem de ficar em casa em um dia de sol: nunca se sabe quando teremos outro!

O castelo, por dentro, é bonito, mas o que se vê, como turista, é como vive uma família de milionários. A visitação do castelo concentra-se nos cômodos onde viveram a família da Lady Baillie. Não deixa de ser interessante, mas não espere enveredar-se pelos caminhos incestuosos de Ana Bolena ou pelo gênio de Henrique VIII.

A visita vale mesmo pelos arredores do castelo. Tem caverna; labirinto; coleção de pássaros exóticos (como tucanos e araras!); cisnes e patos de toda qualidade de cor, jardins; lagos; riachos e riachinhos; horta; vinícula; falconaria; brinquedos de criança; e até um museu de coleira de cachorro (com exemplares do século XVII)! É diversão para a família toda!

O labirinto, por exemplo, eu recomendo para quem gosta de se perder. A experiência vale a pena se você não se sente a ponto de ter um ataque de nervos estando numa situação sem saída, como esta pobre infeliz que vos escreve... Eu quase tive um piti memorável (aliás, tive, mas prefiro não contar). De toda maneira, há um funcionário do castelo sentado (fazendo nada) no meio do labirinto. Eu não sabia deste detalhe. Se você entrar em pânico, sugiro que levante a mão e grite: “HELP”! Não grite, “socorro”, porque provavelmente ele não vai te entender e vai achar que você está se divertindo na companhia dos seus compatriotas. Caso contrário, provavelmente, você vai padecer perdido até que os corvos e os falcões da coleção do castelo te encontrem morto em alguns dias.

HISTÓRIA
A história mais remota do Leeds Castle tem início no ano de 857 com a construção de um solar Real chamado Esledes. Este foi pertença da Casa Real anglo-saxónica durante o reinado de Ethelbert de Wessex.


Construído em 1119 por Robert de Crevecoeur para substituir o anterior solar de Esledes, o castelo tornou-se num palácio Real para Eduardo I de Inglaterra e a sua rainha , Leonor de Castela, em 1278.


Em 1321, o Rei Eduardo II cercou o castelo depois de a sua esposa lhe ter impedido a entrada, tendo usado balistas para forçar os seus defensores a renderem-se. A primeira esposa do Rei Ricardo II, Ana da Boémia, passou o Inverno de 1381 no castelo durante a sua viagem para casar com o rei e, em 1395, o mesmo monarca recebeu ali o cronista francês Jean Froissart, tal como este descreve nas suas Crónicas.


Henrique VIII transformou o castelo para a sua primeira esposa, Catarina de Aragão.


O castelo escapou à destruição durante a Guerra Civil Inglesa porque os seus proprietários, a família Culpeper, estava do lado dos Parlamentaristas.


O último dono privado do castelo foi a Honorável Olive, Lady Baillie, uma filha de Almeric Paget, 1º Barão Queenborough e da sua primeira esposa, Pauline Payne Whitney, uma herdeira americana. Lady Baillie adquiriu o castelo em 1926, tendo redecorado o interior, inicialmente com a colaboração do arquitecto e designer francês Armand-Albert Rateau, o qual também supervisionou alterações exteriores, do mesmo modo que adicionou elementos interiores, tais como a escadaria ao estilo quinhentista em carvalho entalhado, e mais tarde com o decorador Stéphane Boudin, da Casa Jansen (Maison Jansen), uma firma de design de interiores de Paris que viria a ser responsável pelos chamados restauros Kennedy da Casa Branca. Baillie estabeleceu a Fundação do Leeds Castle, tendo o castelo sido aberto ao público em 1976.


Lady Baillie antes de morrer criou e doou o castelo e os jardins para a Fundação Leeds Castle (Leeds Castle Trust). Que mulher desapegada, pensaríam alguns! Que nada: tudo não passou de uma estratégia para não pagar imposto! Isto mesmo: o imposto de herança era de 80% do valor da propriedade. Assim, seria preciso vender o castelo para pagar o imposto. Por isso, a solução para manter, pelo menos, parte da propriedade, foi doar parte substancial para a Fundação, que haveria de cuidar de perpetuar a vida daquela família num castelo transformado em museu por todo o sempre. Boa jogada! Mas parece que o filho mais velho da família não ficou satisfeito com a decisão da mãe. As filhas, coitadas, já não tinha direito a nenhuma parte da fortuna, já que o direito aristocrático concede a herança ao filho varão apenas. (Não posso garantir a veracidade destas informações, já que foram obtidas através de conversas informais com os funcionários do castelo.)

Sobre o Rei Henrique VIII
Um filme chamado The Other Boleyn Girl ("A Outra Bolena") foi lançado no Brasil em 2008. Natalie Portman e Scarlett Johansson interpretarão Ana e Maria Bolena, respectivamente, e Eric Bana interpreta rei Henrique VIII. O filme foi dirigido por Justin Chadwick e o roteiro é de Peter Morgan. Vi o filme em Recife com a minha prima Sara e gostamos muito. É um daqueles filmes que realmente transportam o expectador para outra época histórica, com o auxílio de uma boa dose de traição, sensualidade, poder e muito investimento em figurino e locações.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Viviane Mosé

quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina

sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma

(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)


acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim


e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos

acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando

do livro Pensamento do Chão, poemas em prosa e verso, em homenagem à Maria Ana, que também fez as pazes com o tempo

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

CéU



CéU canta Malevolência




Ai menino bonito ai


A música fez parte da trilha de "Cidade dos Homens"

Brasil é notícia


Para quem acha que no exterior só divulga-se notícia ruim do Brasil, a Revista Inglesa The Economist publicou esta semana uma reportagem sobre a queda nas taxas de assassinatos no Brasil, especialmente em São Paulo: Not as violent as you thought

Revista do Terceiro Setor

Procura-se emprego!
No site da revista do Terceiro Setor, na seção Oportunidades você encontra vagas de emprego e estágio no terceiro setor para todo o país. Além de muitas informações interessantes sobre ONGs e similares.
Vale a pena conferir regularmente. http://rits.org.br/

Bolo/ Pudim de Milho com Coco






Mais um receita de bolo de milho de minha autoria!



Este fica bem molhadinho, gostoso para comer gelado, próximo de um mingal de milho verde (canjica como se diz na Nordeste....) ou de uma pamonha.





INGREDIENTES:
400 gramas de milho verde (pode ser de lata)
400 ml de leite de coco
10 colheres (sopa) de farinha de trigo
3 ovos
1/2 xícara de óleo
1 e 1/2 xícara de açúcar
1 colher (sopa) rasa de fermento

PREPARO:
Bata tudo no liquidificador, a começar pelos ingredientes líquidos.
Usei a forma quadrada e deu muito certo. O bolo/pudim não cresce muito.

Receita de Bolo de Milho Gostoso Pradaná!


Receitinha mineira para aquecer corações saudosos....

Acompanha muito bem o cafezinho da tarde e um dedim de prosa com os amigos!


INGREDIENTES:
100 gramas de manteiga
1 copo de açúcar
1 copo de milharina
1 copo de farinha de trigo
2 ovos
1 colher (sopa) rasa de fermento
1 pitada de sal (se a manteiga for sem sal)

PREPARO:
Bata bastante a manteiga, o açúcar e os ovos.
Adicione os outos ingredientes.
O fermento vem por último.

Preferível usar a forma redonda com buraco no meio, senão tiver, vai a forma quadrada mesmo.

Receita de Brownie


Pessoal,

fiz um brownie muito gostoso ontem.

Quero compartilhar a minha receita com vocês!

Mas atenção não se deve abusar da iguaria, tem muita caloria e gordura!


INGREDIENTES:
6 colheres (sopa) bem cheias de margarina/ ou manteiga (com ou sem sal/ depende do gosto ou da pressão arterial)
1/2 xícara (chá) chocolate em pó (do bom, hein! nada de achocolatado!)
1 1/4 xícara (chá) farinha de trigo sem fermento (se colocar fermento, vira bolo, gostoso também)
2 xícara (chá) açúcar
4 ovos
2 pitadas de sal
150 gramas de chocolate meio amargo/ amargo/ ao leite picado em cubinhos
½ xícara (chá) de nozes picadas (ou castanhas de caju granulada)


Pode-se colocar também:
1/2 xícara de uva passa
1 colher (chá) extrato ou essência de baunilha
1 colher de vinho/conhaque
Pode-se também reduzir o açúcar.


PREPARO:

1. Misture os ovos e o açúcar e depois agregue todos os ingredientes até formar um creme uniforme.
2. Despeje numa assadeira forrada com papel manteiga e leve ao forno médio por 40 minutos.
3. O brownie está pronto quando a parte de cima está levemente corada e ao se espetar um palito o mesmo está levemente úmido (devido ao chocolate derretido).
4. Corte em quadrados ainda quente e sirva com uma bola de sorvete de creme, ou congele num saquinho para freezer.
5. Para descongelar, coloque o brownie num prato de sobremesa e aqueça no microondas, potência alta, por 1 minuto.


Brownie da Flavinha: Tão gostoso que dá medo!

Inauguração







Pela segunda vez começo um blog. O primeiro não rendeu muito, não lhe dei importância. Qual será o destino deste aqui?




Escrevo porque não posso deixar de fazê-lo. Vivo em agonia. Mas de repente, algo novo, bonito e quase pronto jorra no papel ou na tela do computador. O êxtase dura uma dia ou dois.



Escrevo porque estou morrendo de tédio nesta cidade onde tudo devia acontecer, Londres. Você já passou pela experiência de querer ser outra pessoa, estar em outro corpo, viver outra vida? Pois é, eu também sei como é. A vida está tão complicada que parece não haver saída. Está tudo fechado, até as portas de emergência. Talvez só começando novamente. Reinventando a vida, como disse Cecília Meirelles.