quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Vídeo nas Aldeias

Kit "Cineastas Indígenas: um outro olhar" para escolas

O Vídeo nas Aldeias está cadastrando escolas que queiram receber a coleção de DVDs Cineastas Indígenas: um outro olhar, para distribuição gratuita nas escolas de ensino médio. A coleção oferece uma visão única da realidade indígena brasileira: o ponto de vista dos próprios índios.
Com patrocínio do Programa Petrobrás Cultural, o Kit consiste num box com cinco DVDs com filmes dos povos Kuikuro, Panará, Huni Kui, Xavante e Ashaninka, e um "Guia para professores e alunos", com informações sobre cada um dos povos, fontes para pesquisa complementar e temas para discussão em sala de aula.

Cadastre a sua escola:
www.videonasaldeias.org.br/2009/contato_escolas.php
Faça o download do
Guia para professores e alunos:
www.videonasaldeias.org.br/downloads/vna_guia_prof.pdf

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010




Comunicado de Imprensa
04 fevereiro, 2010

Programa de Jovens Profissionais 2010 do BID recebe inscrições Mais Informações
Carolina Goicochea
Coordenadora do Programa
carolinago@iadb.org

Programa de Jovens Profissionais
Contato de Imprensa

Janaina Goulart
(61) 3317-4285
janainag@iadb.org



Iniciativa busca profissionais em áreas do desenvolvimento. Candidatura pode ser realizada até 01 de abril

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) abre inscrições para a edição 2010 do Programa de Jovens Profissionais e o Programa Diversidade de Jovens Profissionais, para povos Afro-descendentes e Indígenas.

A iniciativa, voltada para universitários e acadêmicos, é considerada um ponto de partida para a carreira profissional no BID.

O Banco procura candidatos com experiência em uma ou mais das seguintes áreas: Meio Ambiente e Recursos Naturais; Desenvolvimento Econômico; Desenvolvimento Social, Infraestrutura; Project Finance; e Setor Privado. As inscrições seguem até 01 de abril de 2010.

Os candidatos selecionados vão trabalhar por um período de até dois anos na Sede do Banco ou nas Representações; e existe a possibilidade de o jovem profissional fazer parte do quadro de funcionários do BID no futuro.

Requisitos

Os requisitos para participar do programa são os seguintes:

O candidato deve ser cidadão de um dos países membros do Banco;
Ter até 32 anos de idade;
Ser fluente em Inglês e Espanhol, com conhecimento de uma terceira língua oficial do Banco (Francês ou Português);
Ter obtido o título de Mestre, Licenciatura ou grau equivalente em uma universidade reconhecida pelo país;
Ter um ou mais anos de experiência profissional em empresas relacionadas com o Banco


Processo de Seleção

Os candidatos selecionados serão convocados para entrevistas em Washington, onde funciona a Sede do Banco. O objetivo da entrevista é identificar características como flexibilidade e capacidade de trabalho; habilidades analíticas evidenciadas pelo sucesso acadêmico; habilidade de trabalhar em equipe; comunicação; e vontade e disponibilidade para servir em missões de campo na América Latina e Caribe.

As regras do programa e o formulário de inscrição estão disponíveis no site do Banco. Para acessar a página oficial do Programa de Jovens Profissionais, clique aqui (em inglês).

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Vale Paraíba!


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Sobre o perigo dos livros" Rubem Alves


Imperdível esta crônica de Rubem Alves. (Especialmente para acadêmicos ou adeptos de qualquer tipo de intelectualismo.)
Comentem!!!
http://rubemalves.wordpress.com/2009/01/03/sobre-os-perigos-da-leitura/

Obs.: A imagem retirei da net e não tinha a autoria identificada.

compartilhando leituras....



"O cidadão, no Brasil, além de ser um personagem tardio, quando começa a se expandir, de modo lento e tortuo, encontra diante de si um ambiente hostil que tem a forte presença dos ideólogos do mercado, vaticinando sua condição de personagem fora de moda. A cidadania social é considerada por muitos coisa do passado e, mais do que isto, uma instituição inviável economicamente, pois onerosa. Cidadania não combina com modernidade e assim por diante. O mundo privado e seus imperativos sistêmicos impelem a pensar e agir no sentido da mercantilização completa da grande conquista da civilização ocidental que são os direitos sociais".


REGO, Walquiria Leão. Lua Nova, São Paulo, n. 73, 2008 . Disponível em . acessos em 03 fev. 2010. doi: 10.1590/S0102-64452008000100007.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452008000100007&lng=pt&nrm=iso

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Vicente Maiolino, com todo prazer.



Há algum tempo não posto aqui, mas não poderia deixar de registrar este acontecimento que me atingiu, atingiu mais ainda outras pessoas e quiça uma boa parte de gente que indiretamente foi agraciada com sua arte, criatividade e talento.
Vicente Maiolino foi diretor de teatro, dramaturgo, encenador, figurinista, ator... Em suma, fazia teatro com as mãos, os pés, a cabeça... com seu corpo e toda sua alma.
Quem o conhecia via nele um personagem... Ele vivia e respirava como que dia e noite num palco. A vida em sua máxima intensidade.
Convivi com ele um bom tempo... pouco tempo... O tempo suficiente para saber que foi uma parte indispensável de tempo na minha experimentação do mundo. Uma mordida saborosa.

Como saborear direito a vida sem ter nela pelo menos uma boa pitada da arte???

Alguém tirou, porém, este mestre cuca daqui. Imagino que um ser humano que não teve quem lhe desse o bom alimento. A massa poderosa que fermenta, recria a vida e a reinventa mesmo quando falta a ela boa parte dos ingredientes.

12 furos; seis tiros que o atravessaram lado a lado. Acertaram seu corpo... imortalizaram sua alma.
Vicente Maiolino cumpriu, então, seu derradeiro papel. Mostrou como não se tem como... matar o personagem, como não se tem como... matar a sua arte; o bom alimento.
E recebe, então, seu merecido aplauso...
Ao contrário dos descrentes, creio que sua alma se corporiefica em sua tamanha importância e necessidade.
A morte mais violenta, mais fez sua alma ganhar corpo. Trouxe sua vida à tona, junto à dor, à incompreensão, para o cerne de um espetáculo.
Maiolino interpreta agora o seu mais importante papel.
E continuará em cartaz com seu público fiel a atrair platéias sedentas pela arte que a vida reinventa.

Um brinde a sua insurreição!

Maria

Obs.: Esta foto é da peça "A idade do sonho", em que dirigiu, atuou e recebeu muitos prêmios.
Posted by Picasa

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Contra o barulho

Contra o barulho
Fim do barulho // Campanha lançada ontem pelo MPPE prevê pagamento de até R$ 2 mil pelo Disque-Denúncia para quem denunciar o problema

Por Marcionila Teixeira

Campanha contra poluição sonora é lançada no Recife

Todo final de semana, o funcionário público Luiz Augusto Andrade, 34 anos, pega a mulher e o filho de 4 anos e se muda para a casa de algum parente. A mudança forçada acontece por um motivo simples e ao mesmo tempo inusitado: Luiz e a família precisam dormir e não conseguem por conta do som alto registrado no bairro onde moram, no Arruda, no Recife.
Assim como ele, milhares de pessoas vivem o mesmo drama, que muitas vezes é enfrentado de forma violenta. Ontem, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) anunciou mais ações para combater a poluição sonora no estado e todos os crimes ligados a ela. Entre as novidades estão o lançamento da campanha Som sim, barulho não, a capacitação de policiais para lidar com a situação e a recompensa de até R$ 2 mil paga pelo Disque-Denúncia para quem contribuir com a resolução de um problema que afete toda uma comunidade. Além do incômodo à tranquilidade, o MPPE quer reforçar a ideia de que a poluição sonora não é apenas um incômodo aos ouvidos, mas também encobre outros crimes. "Um ambiente onde há carros com som alto, por exemplo, pode atrair os jovens para o uso de drogas lícitas e ilícitas ou para a exploração sexual de crianças e adolescentes", comentou o promotor André Silvani, do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Meio Ambiente (Caop). Outra preocupação do MPPE é com a possibilidade de ocorrência de homicídios decorrentes de desentendimentos por conta de barulho, como já aconteceu no estado. O funcionário público Luiz Andrade disse que, logo que foi morar no bairro, tentou resolver o barulho de som alto dos carros ao longo da madrugada conversando com os donos dos veículos ou ligando para a polícia. "Hoje em dia não faço mais isso. São muitos carros. Também tenho medo da reação dos motoristas. Além disso, depois que a polícia sai, eles aumentam o som de novo. Prefiro sair de casa", afirmou. A campanha será veiculada na mídia gratuitamente e por tempo indeterminado. São três VTs para televisão, dois jingles etrês comerciais para rádio, quatro anúncios para jornal e cinco para outdoors. Todas as peças fazem referência ao site www.somsimbarulhonao.com.br. O grupo Diários Associados em Pernambuco, do qual também faz parte o Diario, confirmou participação na iniciativa. Capacitação - Para o promotor André Silvani, a capacitação dos policiais é um dos passos mais importantes da luta contra a poluição sonora. "Esse é um crime como outro qualquer e o policial não precisa pedir para baixar o som ou ter um mandado para entrar na casa de alguém que está abusando do barulho. Ele pede para alguém parar de traficar drogas? Ainda existe essa cultura de que o barulho não é algo importante para ser combatido diante de outros crimes, mas é preciso priorizar esse tipo atuação também", destacou. O secretário executivo de Defesa Social, Cláudio Lima, disse que os batalhões da Polícia Militar de 26 áreas do estado, além das companhias, estão orientados a cumprir metas no combate à poluição sonora. "Apenas duas áreas não cumpriram as metas no ano passado", contabilizou. A Secretaria de Defesa Social promove, desde 2008, a Operação sossego. No entanto, apenas Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes participam da ação. Dados repassados ao MPPE apontam que, em Jaboatão, houve redução de 38% no número de crimes após dois meses do início da operação. Outra arma para combater o mal será a reedição da cartilha Poluição sonora – O silêncio e o barulho, lançada em novembro pelo MPPE. Mais 10 mil exemplares com orientações sobre o tema serão distribuídos logo que o Ministério Público consiga firmar parcerias com setores da indústria local para a reimpressão. Além disso, a entidade também preparou um vídeo educativo para ser usado em seminários e outras apresentações sobre o tema. FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Fazendo Gênero 9


Inscrições abertas para apresentação de trabalho no congresso Fazendo Gênero 9 em agosto de 2010 em Floripa, UFSC.

Atenção especial ao nosso Seminário Temático:

18. Diversidade e Gênero no Universo Infanto-Juvenil
Coordenador@s: ALCILEIDE CABRAL DO NASCIMENTO (UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO), FLÁVIA FERREIRA PIRES (UFPB)


SITE:

domingo, 10 de janeiro de 2010

Cariri Paraibano





























quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Catingueira/ PB






Uma prévia das fotos que produzimos em dezembro de 2009 em trabalho de campo na cidade de Catingueira/ PB para a pesquisa "A Casa Sertaneja e o Programa Bolsa-Família".













Na última foto estão um nativo e 4 alunos de Ciências Sociais da UFPB que fizeram parte da equipe de pesquisa!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Comer, beber, viver...


No ano retrasado, em 2008, li aquele livro best seller, meio auto-ajuda (bem diferente dos que costumo gostar ou ler...) que fez um sucesso estrondoso, com uma americana que, para romper com uma vida e a depressão causada por grandes dificuldades vivenciadas, sai em busca de prazeres e aprendizados, em um ano sabático de viagens.


"Comer, rezar e amar"... quem não leu deve ter ouvido falar. O livro vendeu milhões de exemplares e como tive a recomendação expressa de duas leitoras (amigas), fui folhear suas páginas num café de uma livraria. Acabei comprando o livro através de um site, num precinho camarada e confesso que gostei. Não tanto pela escrita e não é mesmo uma obra literária com uma narrativa grandiosa, mas pela sinceridade da experiência compartilhada.


Este ano, bem perto do final do ano, lembrei-me do livro e de alguns momentos contados pela autora. Isto aconteceu mais precisamente quando estava num avião, indo para minha terra natal e lembrava as possibilidades que podem surgir quando nos abrimos à outras experiências, quando nos damos direito à novas "viagens" transformadoras.


Chegando ao aeroporto de destino... antes de embarcar no ônibus para o centro da cidade, meus olhos parecem terem sido guiados para um pequeno letreiro de um café onde estava escrito "Comer, beber, viver".

Bonita coincidência! Os tantos verbos infinitivos... que sinalizavam experiências tão humanas quanto potencialmente transformadoras.


Que belos verbos possam ser conjugados este ano que se inicia, trazendo a sorte de outras tantas possibilidades de vida!

Feliz 2010!!!
Obs.: Esta linda gravura eu retirei na internet nesta página http://fineartsportugal.com/shop/images/pint_trigo_penultima_ceia.jpg
Parece que o artista chama-se Trigueiro e a tela é a "Penúltima ceia".

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal!



Meu colega da UFPB, Adriano de Léon, fotografou a obra de arte acima reproduzida no Shopping Sul, no bairro dos Bancários na capital da Paraíba, João Pessoa.

Trata-se da "Fuga de Jesus para o Egito" - passagem remarcável na odisséia bíblica em que Maria e José fogem com o menino Jesus para que ele não seja morto pela ira do rei Herodes, que havia mandado matar todas as crianças menores de 2 anos de idade.

Reparem que a paisagem não é nada parecida com a de Israel, antigamente Galiléia.... Há picos nevados, pinheirinhos de natal... o que produz uma sensação de fora do lugar.

Mas o simplório pode ser singelo...

Simplicidade, pureza de coração é assim que quero passar este natal, atenta as coisas simples, sem olhar as contradições do mundo, focando no essencial: a fuga do mal. O resto é paisagem.











domingo, 20 de dezembro de 2009

Conselhos para um 2010




  • Sobre as suas metas para o Ano Novo



Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.

Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale à pena correr atrás. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.

Se vire e mêta o pé na carreira, pois pra gente conseguir o que quer, tem é Zé.

Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só frescando.


  • Sobre o amor

Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Tome rumo, avie, se avexeü Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você. Aperreia ela. Vai que dá certo e nasce um bruguelim réi amarelo.

Você é um corralinda. Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.

Não bula no que tá quieto. Num seja avexado, pois de tanto coisar com uma, coisar com outra, você acaba mesmo é com um chapéu de touro.ü As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém pai d'égua. Num devem se atracar com um cabra peba, sem futuro, malamanhado e fulerage.

O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar. Um dia vai aparecer um machoréi bem massa.



  • Sobre o trabalho

Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão num tem vez não.

Se você vive fumando numa quenga, puto nas calças e não agüenta mais aquele seu chefe réi fulerage, tenha calma, não adianta se ispritar.Se ele não lhe notou até agora é porque num tá nem aí se você rala o bucho no trabalho. Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.

Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu. Saia com aquele magote de amigos pra tomar uns merol.Tome umas meiotas e conte uma ruma de piadas que tudo melhora.



  • Sobre a sua vidinha

Você já é um cagado só por estar vivo. Pense nisso e agradeça a Deus.

Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.

Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.

Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se esfola um bode.



  • Arrumação motivacional

No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá gastura.

Tome um burrim e tire o gosto com passarinha ou panelada que é prá num perder a mania.

Prá começar o ano dicunforça: Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.

Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto:


Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta
que vai dar tudo certo em 2010.

Peeeeennnnse num ano que vai ser muito bom.
Respeite como vai ser pai d’égua esse 2010.

sábado, 19 de dezembro de 2009

"Para Sara..."


Este post é uma forma de agradecimento a uma das leitoras do blog.

Ela nem imagina, mas seu "puxão de orelha" falando sobre a falta que sentia de novos escritos no blog, trouxe-lhe um novo fôlego, um suspiro, uma sacudida...

E o importante é que ela disse das sensações dela. (Ela se expressou com palavras como "tão, tão tranquilo..." o sentimento que trazia para ela as leituras. E disse também que, por vezes, ficava com aquilo que lia na cabeça durante a semana.)

Tão, tão bom ouvir isto... (plagiando a nossa querida leitora pernambucana.)

Isto tudo serve para dizer de algo tão importante ou fundamental para que qualquer coisa aconteça, para que qualquer palavra tessa... O outro, a outra... que está bem ali do outro lado, mesmo que imperceptível.

Tantos e tantas reflexões, textos e elocubrações sobre a "alteridade" em nossas vidas, que nos dá outros significados, olhares e tantas "contrapalavras", como dizia um filósofo russo da campo da linguagem, Bakhtin, que gosto tanto de estudar.

Bem, ele diz que o outro é capaz de nos dar "acabamento". O outro ou a outra (a Sara, por exemplo, no caso) foi quem nos deu acabamento... disse-nos do que causa a ela nossas palavras... nossos escritos. E a partir daí sabemos que vale mesmo a pena (da caneta rs) . Ela nos dá "validade", validade às nossas enunciações, termo caro a este filósofo russo de que falei. É uma dádiva porque ela acaba nos dando oportunidade para expandirmos ou modificarmos algo da nossa "autoconsciência".

Ela nos dá esse acabamento tão necessário a nossa "auto-estima"- noção posta em dúvida por um psicanalista de quem tb gosto muito, Contardo Calligaris - que para ele (e pra mim tb) não parece ser tão "auto" assim; de repente, é mais "alter"- estima. rs

Obrigada, Sara!

Veja como o(a) leitor(a), o(a) apreciador(a), o(a) ouvinte pode ser parte tão integrante da arte, como a própria arte ou o seu criador; é parte imprescindível desta "arquitetônica" que constitui qualquer criação estética, teórica, etc.

Abraço grande
Obs.: Esta imagem de aquarela linda de uma artista mineira já foi postada no blog em outubro do ano passado e suas referências estão no post "Cozinhando com as Meninas Gerais..." out/2008.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Antropologia Cômica!






Royal Anthropological Institute (UK) lançou a International Anthropology Cartoon Contest em julho de 2009. Parece que a disputa foi um sucesso, com a participação de vários países, inclusive o nosso. A ideia era abordar temas antropológicos de uma maneira cômica e diferente.








Algumas das charges podem ser vistas em http://www.flickr.com/photos/raieducation








Vou deixar aqui a que levou o segundo lugar:
















terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"(Não) atire no dramaturgo"!


Há uns três dias atrás, acho que no dia 5 de dezembro, vi no jornal a notícia de que um dramaturgo em São Paulo, havia sido alvejado por tiros dentro de um bar durante a madrugada, enquanto comemorava um espetáculo escrito e dirigido por ele, "Brutal".

Já falei aqui sobre coincidências e não vou me ater a elas no caso, porque considero até de mal gosto, no momento.

Mas que é "Brutal" um crime como este, assim como outros vários atos de violência quase gratuita que ouvimos, lemos ou assistimos e que enchem as páginas dos jornais e sites de notícias do nosso país diariamente... não preciso mesmo comentar.

Como gosto e me identifico cada vez mais com o mundo da literatura, do teatro, do cinema e de artes afins, meu interesse se desviou do crime violento e passeou, querendo conhecer melhor este homem, Mário Bortolotto.
Dado em "estado grave", ele poderia deixar de fazer suas artistagens antes mesmo de eu ter o prazer de saber da sua existência. Isto tudo devido a um tiro, ou mais tiros, cravejados em seu peito em uma das tantas boas noites em que esteve bebendo, cantando e curtindo os amigos; o que parecia ser parte de sua filosofia de vida e inspiração para sua arte.

Descobri, então, seu blog pelos órgãos de notícia e quando li o título... (Sinto contrariá-lo, Mário, mesmo convalescente e indisponível no momento para qualquer discordância ou debate com uma leitora novata e meio chata... ) Decidi incluir nele uma palavra, sem sequer pedir sua permissão, pelo menos no meu blog. Trata-se de um "não"... bem no início do título, que só traria mais tranquilidade ao meu coração, quiçá das pessoas que já te conheciam e admiravam.

Sabe essas coincidências atrozes, das quais prometi não falar? E não preciso... só necessito reproduzir aqui o nome do blog e de um livro com o mesmo nome, escrito pelo danado desse Bartolotto: "Atire no dramaturgo" ( http://atirenodramaturgo.zip.net/ )
E não é que dá vontade mesmo de apagar ou mudar algo?! "Palavras minhas, palavras suas", como já dizia o ditado.
A principal e mais feliz descoberta desta incursão, porém, foi uma empatia genuína com seu jeito maroto, intenso e inadaptado de escrever, pensar, viver... Com certeza, despertou minha vontade de ler seus escritos, ouvir as músicas que tanto recomenda e ver quem sabe alguma de suas peças, com certeza. (De cá, já rezo por sua pronta recuperação).
Queria deixar só uma palhinha aqui para vocês, de um trecho em que em meio a uma reclamação, ele dá uma "receita" de como adaptar suas histórias para seus futuros encenadores.
"Aconselho a quem quiser se aventurar a encenar algum outro texto meu (...) a ler muito gibí, ver muito filme alternativo (...) e inclusive, muito filme "B". Esqueçam David Lynch, Almodovar, Lars Von Trier, etc. Eu não tenho nada a ver com isto. Tentem ler os caras que realmente mudaram a minha vida (Bukowski, Spillane, Henry Miller, ...). Também tem que sair pra rua, beber até de manhã com alguns amigos engraçados e apaixonados."
(Estou com problemas no copiar e colar, rs . Vou adicionar o texto depois. Mas, podem ir ao blog dele no post do dia 29/11)
Ah, ele tem um conjunto bacana de rock e blues com amigos, do qual ele é o vocalista e compõem músicas, chama-se "Saco de ratos". Eles se apresentam em galerias alternativas em São Paulo.
Para finalizar, saúde, Mário Bartolotto! E prazer em conhecê-lo mesmo num momento assim, tão delicado. (Mas, você não me pareceu ser mesmo muito convencional.)
Obs.: A foto postada foi retirada do blog do dramaturgo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Acadêmicos amestrados Por Idelber Avelar

Acadêmicos amestrados

Por Idelber Avelar [Terça-Feira, 1 de Dezembro de 2009 às 15:31hs]

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e
pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da
conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que
nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa
é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne
Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli.
Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de
desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições
da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.

Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é
simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever
platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir
sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre,
armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a
geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o
seu histórico na disciplina seja bastante modesto.

Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao
neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma
unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras
disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para
avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável e
criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade
científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa
unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz,
uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem
saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman,
economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado
financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma
fórmula neoliberal e pontificavam sobre a "morte de Marx". Foi
ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de
desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.

Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos
títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo,
Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi
conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que
eles usam com os demais. No entanto, o fato indiscutível é que eles não são,
nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua
visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de
reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios
de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso
desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para
validar uma opinião definida a priori. É lamentável que um acadêmico, cujo
primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse
jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar - cada vez menor,
diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.

O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não
é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa,
pensador singular do século XVII. É impensável que alguém ali não conheça
Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do
Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que
revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da
liberdade. Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma
seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente
na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me
acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista
desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de "vagabunda"
pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.

Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como "o filósofo" pelo jornal O
Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de
"terrorismo de Estado". Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10
de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma
vítima de terrorismo de Estado real - por exemplo, uma família palestina
expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses - se lhe
disséssemos que um filósofo qualifica como "terrorismo de Estado" a
inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas
com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os
acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.

A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São
Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de
"trapalhadas" e chamava Celso Amorim de "líder estudantil" e "cavalo de
troia de bufões latino-americanos". Poucos dias depois, a respeitadíssima
revista Foreign Policy - que não tem nada de esquerdista - apresentava o que
era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula:
Celso Amorim, o "melhor chanceler do mundo", nas palavras da própria
revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.

Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações
raciais como o Brasil. Na mídia, os "especialistas" sobre isso - agora sim,
com aspas - são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro
decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e
Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência
biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem
que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.

Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um
especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele?
Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros
pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos
de vista foram contemplados pelo mesmo veículo? No caso da mídia brasileira,
as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Comida de "macho" (Reflexões gastronômicas sobre gênero)


Outro dia, tive o prazer de conhecer um restaurante, meio que por acaso, no centro do Rio de Janeiro.

Queria comer uma comidinha mais caseira, tipo arroz com feijão, e me lembrei de algum lugar que tinha passado em frente, na Travessa do Ouvidor (centro do Rio).

Lá fui eu, então, à digníssima ruela em busca daquele restaurante que mais parecia uma galeteria das antigas. Balcão com muitos atendentes, bem cheio, e com a tradicional placa na porta com o preço da refeição escrito em giz branco.

Uma mulher perto do caixa me vê parar e olhar fixamente, meio sem entender o "esquema", aproxima-se e explica. São R$ 12.00 tudo: comida, refresco e sobremesa, mas não aceitamos cartão de crédito.

Olhei para dentro, expiei um pouco e resolvi andar mais e visitar outros lugares na rua, para só depois, voltar e experimentar a tal refeição que parecia robusta, no restaurante de nome exótico, "Esquimó". (Algo no mínimo antagônico ao calor que estava nos derretendo feito gelo, esses dias no Rio de Janeiro)

Então, tomei coragem (vocês já vão entender o porquê...) e entrei. Fui encorajada ainda mais com a "visão" de uma mulher, quase senhora, em meio a um amontoado de homens no balcão.
Lugar perto, não tinha... mas assentei-me decidida e resoluta no balcão de trás com meus companheiros "de rancho". Era um restaurante com alma "viril", quase uma confraria de machos; cspaço que poderia ser melhor entendido se pensarmos, comparativamente, nos salões de beleza, onde geralmente, mulheres, tendem a se sentir um tanto à vontade.
Gente, foi uma experiência!
Não fui educada para sentir-me mal por estar num ambiente com muitos homens ou em lugares ou atividades quase que estritamente masculinas. Aliás, adorava acompanhar meu pai nos eventos "sociais" dele quando era mais nova.
Mas há muito não entrava em um ambiente com tanta testosterona, tradições e ritualismos masculinos. Senti-me quase que uma espiã, desvendando segredos da masculidade. Alguém não exatamente malvisto(a) ou incoveniente ao ambiente, mas nitidamente fora de seu lugar.
Eram homens!!! Servindo, chegando, comendo, conversando... e papos já "acordados" tacitamente por garçons e clientes, que já sabiam os times de futebol uns dos outros, etc. Alguns garçons, vendo um cliente familiar chegar, escolhiam um lugar próximo e o convidava a se sentar.
A escolha da comida, dos acompanhamentos, parecia ser quase "adivinhada" pelo "companheiro" que o servia. "O de sempre?" "O de sempre, mas com salada de beterraba."

Um grupo de rapazes mais ou menos jovens que chegara, momentos depois, fazia brincadeiras continuamente com o senhor que os atendia, com sotaque espanhol, aumentando a cada meio minuto o número de pedidos do mesmo prato, bife à milaneza com ovos estalados... E o senhor gritava para algum outro "homem" que preparava o prato, mais à frente. Risonho, mas com voz firme e colocada, aumentava progressivamente a quantidade de bifes com ovos estalados: "quatro bifes com ovos...", "cinco bifes..." E o pedido era sempre refeito como num espetáculo cômico, projetado na voz solene deste garçon locutor.
Enfim, os sons groturais das vozes dos atendentes que faziam os pedidos combinavam com os sons da bateria de pratos e talheres sendo empilhados. Fazer barulho não só era permitido como parecia parte mesmo da sonoplastia viril do local. Quase que uma música para os ouvidos dos clientes habituais.
Mas se narrasse o cuidado com os pratos servidos, o tempo de chegada do pedido e o bom astral do atendimento, poderia fazer muita gente se enganar tendondo imaginar um ambiente "sem frescura". O que vi foi uma atenção e presteza como poucas vezes, em busca da satisfação do cliente cativo do lugar (o que cativava outros(as)... como eu).
A cena que presenciei de um garçon cortando em pedacinhos o mamão da sobremesa de seu cliente que estava com uma das mãos machucadas, foi de uma delicadeza até pouco viril.

Enfim, na fila para o pagar o PF deparei-me com uma reportagem na parede, sobre um chef francês famoso por aqui, que em visita ao local, elogiou a comida do lugar.

Quero muito voltar lá, mas já marquei a próxima visita com uma amiga, para não me sentir tão "fora do lugar" sozinha e poder apreciar novamente a gostosa e honesta comida, para macho nem fêmea nenhum botar defeito!
Desculpem-me os exageros de gênero... rs
Endereço: Travessa do Ouvidor, 36. Centro do Rio
Outros blogs que comentam o restaurante
comerbemrio.blogspot







sábado, 17 de outubro de 2009

caronas online!

www.bigoo.com.br


O bigoo é parte do dialeto recifense e quer dizer: carona!

Meu primo Davi e seus amigos, todos formados em Ciência da Computação da UFPE -, tiveram uma ideia genial: criaram um site de ofertas e aceitação de caronas !

O caroneiro e o que oferece carona tem que fazer um prévio cadatramento. Com isso há segurança, uma vez que você pode limitar a oferta de caronas apenas para seus amigos, para os amigos de seus amigos. Mas se quiser, a oferta poderá ser pública.

Leiam a reportagem no Diário de Pernambuco, http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/09/29/urbana9_0.asp

Leiam também a excelente matéria nesse blog http://blogs.diariodepernambuco.com.br/meio_ambiente/?p=4215

Bigoo é um iniciativa simples que pode melhor a mobilidade nas nossas cidades.

Acessem www.bigoo.com.br

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Risada


Minha amiga ficou comigo na minha casa por uns dias. Fizemos tudo juntas: acordar na mesma hora; sincronizar o banho para não congestinar o dia; ela fazia almoço, eu lava as vasilhas; dormir na mesma hora e assim por diante. Foi tão bom ter sua presença. Essa amiga ri de tudo e ri alto. É engraçado: vê-la rir dá vontade de rir. A gente se pergunta: ela é mesmo feliz ou uma "boba-alegre" como se diz lá em Minas? Além disso me pergunto mais: por que eu não rio assim? Por que não cultivei a gargalhada frouxa, o falar "baboseira", falar da vida alheia, assistir novela das 6? Quando ela foi embora, fiquei triste, muito triste e sozinha. Sua presença preenchia a casa e era como um remédio para a minha solidão crônica. Preciso rir mais, mas preciso de gente ao meu lado: rir sozinha é coisa de doido solitário.

Incongruências da vida



Já tem um tempo que queria parar e escrever sobre algumas indiossincrasias que o viver acomete com a gente.
Ouvimos tantos ditados como “Deus escreve certo por linhas tortas” e outros afins a esta percepção bem humana da vida, mas nunca eles conseguem substituir as cores que os eventos trazem para estas quase conclusões da experiência que é viver.

O dia que você veste a camisola digna de uma “noite de núpcias” e melhor ela lhe cai, por exemplo, é aquele em que você está sozinha se namorando no quarto, com um bom livro na mão, uma música gostosa tocando e um espelho a lhe felicitar o olhar.

Você recebe aquela rosa vermelha, pelas mãos de uma amiga, em uma visita corriqueira no meio de uma terça-feira... E você de alguma forma intuía um encontro com a tal flor neste dia, pois o amor havia invadido sua pele, suas entranhas e tudo mais. E o causador desse sutil estado, sequer imaginou uma materialização tão bela da natureza para você.
O seu mais novo amigo pode vir a comer merecidamente o macarrão feito à mão com carinho, para um amor que pouco lhe correspondeu com o estômago ou órgãos afins.

A palavra amiga esperada, nem sempre corresponde ao que o coração pedia ouvir; mas o cérebro pega no tranco, quando falta ao coração, e te repatria a consciência sobre o que precisaria escutar.
Ou quem sabe a palavra mal colocada carregou toda a importância de um silêncio necessário?

É levando um fora carinhoso e terno que você pode ter a chance de redescobrir o amor, pelo impedido amor. Quem sabe começando bem um final, você reinicia poderosamente uma história de amores na vida?

Enfim... não nunca terá fim, estas incongruências . Parecem peças escritas infinitamente para serem mais ou menos bem ou mal interpretadas pela gente.

domingo, 9 de agosto de 2009

Aniversário


Vai chegando o aniversário da gente e vem vindo um monte de lembranças e balanços, mesmo que não queiramos.

Fiz uma arrumação no quarto, nas coisas, nas fotos, nos guardados, nos engavetados e esquecidos.

Joguei fora, aproveitei, coloquei e recoloquei no lugar; fiz algumas inovações.

Revi fotos e reli muita coisa íntima. Cartões, cartas, bilhetes...

Chorei, sorri e revivi coisas guardadas na alma também.

Mas, em especial, queria relatar o reencontro com um presente que ganhei no último aniversário que foi muito importante para mim. Aqueles presentes bem diferentes e, por isso, especiais.

Era uma espécie de um espelho. Uma carta que me descrevia muito bem (e os defeitos estavam incluídos, cuidadosamente rs).

Acho que a amiga, que confeccionou o presente inspirador, não pôde entender como esse "espelho" foi e continua sendo valioso.

Foi como um flash, uma fotografia de relance, mas que pegou um close que foi fundo, e me trouxe de algum lugar ali, de presente para mim.

E continua sendo uma imagem na qual me vejo sob vários aspectos, como um bom espelho.

Agradeceria à ela ainda agora, passado quase um ano, na véspera de uma outra "data querida".


terça-feira, 28 de julho de 2009

Resgates importantes!



Hoje foi um dia importante.
Resolvi finalmente resgatar minha bicicleta que estava sequestrada na garagem do prédio de uns amigos que nem mais lá moravam.
Demorei mais de um mês para conseguir o intento. Precisei chamar o "reboque" e ela foi direto para o hospital ou UTI das bicicletas, pois precisava de uma revisão geral com direito a troca de fios enferrujados e faxina.
Foi um ato importante. Eu, na infância, elegi este brinquedo de adulto como meu principal entretenimento. Ensinei meus irmãos a andarem sem rodinhas - e olha que nem era a mais velha. Eu me orgulhava muito disto!
Sei que não vai ficar baratinho a sua recuperação, mas é que ela é quase uma parte minha. Minha volta à infância, aos sentimentos de liberdade, autonomia e prazer (principalmente quando o ventinho batia no rosto).
Realmente necessitamos resgatar algumas coisas na vida. Reformá-las, cuidar delas, protegê-las do esquecimento. Não seria um esquecimento de nós mesmos?
Voltei mais feliz, depois de uma longa caminhada com direito a bolha no tornozelo. E olha que o dia não estava lá prometendo estas coisas, pela noite passada.
Hoje foi um dia de resgate intenso mesmo; das coisas avariadas, estragadas ou esquecidas ao léu.
Lembrei-me agora de outra coisa que, no caminho de volta do resgate, precisei buscar também.
Tinha deixado um óculos de sol (o meu único óculos de sol) para uma análise na loja de sua compra. Ele já tinha se descascado nas pernas e ainda assim, deixei ele comigo; mas caiu e quebrou uma delas ao meio. E, esse aí, não teve jeito.
Deram-me a oportunidade de escolher outro. Novo modelo... outra cor... desing diferente.
Engraçado que nem cogitei mais ficar com meu velho amigo (agora me dou conta), mas escolhi demoradamente o próximo que me acompanhará sempre, pela sua unicidade.
E renovei, então, escolhendo um azul, para dar cor e alegria, ou mais humor à minha vida.
No mais... resgates com ou sem conserto, são sempre importantes.
E quando sem conserto, resta uma oportunidade para uma nova história.

Menina MA




quinta-feira, 11 de junho de 2009

Spaghetti!


Gostaria de começar o texto assim...
(como vários textos cheios de pleonasmos tão comuns, que são um tanto rechaçados pelos amigos da dita "boa escrita", mas nem sempre pela poesia)
"Somente poucos momentos..." (como este que vou relatar agora)
... podem trazer uma certa paz camuflada de esperança, que vem da possibilidade de ver a beleza nas coisas mais que simples, cotidianas e pouco inusitadas, da vida.
Hoje vi minha sobrinha, que faz dez meses hoje, (outra repetição! ops) comer spaghetti ao molho de tomate e queijo, feito pela mamãe, com suas próprias mãos. (pleonasmo!)
Não, "feito gente grande", mas feito uma experiência de artista, daquelas bem pós-modernas, que aparecem em instalações de bienais de arte em São Paulo. rs
Bem... os gestos, os olhares dela para aquele macarrão com molho subindo e se alongando em suas mãozinhas; o ato de colocar na boca quase tudo e ir cuspindo, chupando e sorrindo, numa concentração primorosa, faziam dela - aos olhos de tia - uma artista.
Apreciar esta "arte" dela dá uma dimensão para as descobertas que saímos fazendo pela vida e, porque não dizer, derrama um molho todo especial no coração de uma tia.
Bom apetite!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Ser e seu Existir

Começando com um título assim, lembro-me do Heidegger. Sim, ele já me foi apresentado rapidamente, há um ou dois anos atrás, de uma maneira eficiente. Por mais complexa que pareça ser a sua filosofia, ela vai num ponto interessante da nossa passagem por aqui: o existir/dasein. (Numa tradução filosófica de boteco.)
Se esta "passagem" é longa, breve, intensa ou um marasmo, deve-se um tanto ao que ele bondosamente nos tentou dizer em palavras, mas que foi desistindo ao tentar finalizar, por não mais tê-las para uma melhor definição.
Disse somente, interpretando aqui, com minhas pobres palavras, que ser e existir não são necessariamente a mesma coisa.
Existir seria uma espécie de entendimento do que é sentir estar vivo; uma percepção em movimento; um mergulho num emaranhado de plenitude, mesmo que momentâneo.
Em suma, existir traz a sensação de se estar vivo. (O tal "dasein" dele, da grande obra inacabada "O Ser e o Tempo")
E a linguagem que melhor expressa a experiência deste conceito/sentimento talvez seja mesmo a poesia, como diria o próprio pensador.

Um acidente aéreo como o de hoje, onde se vão de uma só vez, 228 pessoas que viviam ou existiam, no sentido mais filosófico da palavra, provaca-me este mergulho na imensidão dos sentidos perdidos.
Porquê? Como? Para quê? De que maneira?
Um acidente como esse parece ser a prova de que a vida literalmente acontece... Ela é puro acontecimento!
O abrir e fechar das cortinas de um palco, sem direito à muitos ensaios, nem a garantia de grandes atuações ou aplausos calorosos.
O diferencial a que nos caberia (pobres mortais)? O que nos faria ser menos submissos aos desígnios e fatalidades?
Talvez, seja existir... (Heideggernianamente falando.)

Para conhecer um pouquinho do filósofo que cito, sendo-lhe, com certeza, um tanto infiel, com a minha vã filosofia...
http://pt.wikipedia.org/wiki/Heidegger

domingo, 24 de maio de 2009

"Só pra ser especial"



Hoje acordei e entrei na rede, antes de tomar café...
Dei de cara com alguma reportagem sobre a Mallu Magalhães, uma música e compositora, teen, que quase todo mundo já ouviu falar... até eu mesma.
(E se não ouviram ainda, eu aqui, vos apresento, agora)
Fui bisbilhotar algo sobre ela, porque ainda não tinha ouvido uma só de suas canções. Ela foi um desses sucessos que se fizeram pela internet, mostrando que esse espaço virtual pode ser mesmo tão interessante e democrático.
Virei fã dela quase no ato. Por várias coisas... mas, principalmente por sua aparente sensibilidade, doçura, originalidade e talento. (Todo o conjunto do seu jeitinho, mesmo).
E fiquei com vontade de ter um Ipod; virar contemporânea dela... (como todos esses meninos e meninas que circulam com essas coisas no ouvido, pelas ruas.)
"Só para ter as músicas dela ao ouvido", de vez em quando... e sentir o prazer e o desprazer de ser da sua geração, de estar começando a virar adulto, nesse mundo de hoje.
Ela tem metade dos meus anos já vividos e sente muita coisa igual a mim.
Esta música, em especial, bateu forte.

Vanguart
Composição: Mallu Magalhães
Ah, se eu fizesse tudo que eu sonho,
Se eu não fosse assim tão tristonho,
Não seria assim tão normal.
Ah, se eu fizesse o que eu sempre quis,
Se eu fosse um pouco mais feliz,
Levantasse o meu astral...
7 dias vão e, eu nem fui ver.
7 dias tão fáceis de se envolver.
Ah, se eu tivesse fotografado,
Se eu tivesse me integrado,
Ao mundo sobrenatural.
Aaaah, eu seguiria o realejo.
Desenharia o que eu vejo,
No meu cereal.
30 dias do mês que ficou pra trás...
E eu sou só mais um desses meros tão mortais.
Mas, Ah, se eu fizesse alguma diferença,
Se eu curasse alguma doença,
Com uma força genial...
Ah, Ah, Ah, Oh,
Ah, eu cantaria pra fazer sorriso,
Eu perderia o meu juízo,
Só pra ser especial.
7 dias vão, não! eu não fui ver.
São 7 dias tão fáceis de se envolver.
30 dias do mês que ficou pra trás...
Mas eu sou só mais um desses meros tão mortais.
Mas ah, se eu fizesse alguma diferença,
Se eu curasse alguma doença, com uma força genial.
Aaaah, eu cantaria pra fazer sorriso,
Eu perderia o meu juízo,
Só pra ser especial.

Podem ir lá no My Space dela ouvir suas composições e releituras de músicos que ela gosta.
http://www.myspace.com/mallumagalhaes
E no youtube tem vários clipes, inclusive, oficiais, como esse aqui, da primeira música de sucesso dela na internet.
http://www.youtube.com/watch?v=-6BNin_x_74&feature=related
Você pode ouvir a música acima neste endereço: http://www.youtube.com/watch?v=Eeuo3zD7g3c&feature=related

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Domestic Bliss...


Depois das abominações domésticas, nada melhor que pensar tudo aquilo que faz "o lar ser o melhor lugar do mundo"...
Eu amo com todo o meu ser:

Banho quente depois de chuva fria

Cama com lençóis recém-trocados

Comidinha da mamãe

Quitutes da vovó

Cinema com pipoca em tarde de Domingo chuvoso

Colo de mãe

Paparico de Madrinha

Rede na varanda

Dormir abraçadinho

Acordar com um beijo

Café da manhã na cama

Café da tarde com pão de queijo quentinho

Dividir brigadeiro de colher com uma amiga

Bolo de chocolate quente
...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Bar ruim é lindo, bicho.


Um amigo recente, depois de um bom papo e causos engraçados sobre os costumes e maneirismos da (nossa) classe média abobada, lembrou-se de um texto que tinha recebido de outros amigos, que falava exatamente do que estávamos tentando descrever, mas que descrevia com primazia o assunto.

Eis que está aqui o tal texto (corrente) e eu "me surrei de tanto rir" porque passei por situação muito parecida com o descrito no texto.

Vale à pena ler. Vocês vão acabar apontando o dedo para si ou para outrem, bem próximo. rs
Lá vai...

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).
No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
"Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.
Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim.Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.
Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas.Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.
Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV.Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider.Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico.E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem.Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo.Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato.
Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil!Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo.
Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).
- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

A imagem já está com a fonte impressa. Não vou fazer propaganda. rs

Abominações Domésticas






Eu odeio com todo o meu ser:

Requeijão de copo com migalhas de bolo ou pão

Lixo de pia molhado

Deixar comida vencer na geladeira

Jogar lixo reciclável na lixeira comum

Xixi na tampa do vaso sanitário

Arruinar o suco por causa de uma laranja estragada

Cheiro de esgoto na cozinha de casa

Acúmulo de cabelo no ralo do chuveiro